A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (29), a Operação Lavoslav para desarticular uma organização criminosa suspeita de importar matéria-prima, produzir e distribuir anabolizantes clandestinos no Brasil. A investigação identificou um laboratório ilegal em Cosmópolis (SP), onde os insumos eram manipulados para fabricar as substâncias. Ao todo, a Justiça Federal autorizou duas prisões preventivas e sete mandados de busca e apreensão em São Paulo, Roraima e Rio de Janeiro.
Investigação começou após apreensões
A Polícia Federal iniciou a investigação no fim de 2024, depois que a Receita Federal e os Correios interceptaram sucessivas remessas de substâncias suspeitas.
Ao analisar os dados das encomendas, os investigadores perceberam que os remetentes utilizavam diferentes nomes e endereços. No entanto, as entregas tinham um ponto em comum: os destinatários estavam concentrados em Cosmópolis.
A partir desse levantamento, a PF identificou um homem de aproximadamente 40 anos apontado como principal articulador do esquema. Segundo as investigações, ele atuava no segmento havia cerca de cinco anos.
Laboratório clandestino funcionava em Cosmópolis
Durante as apurações, os policiais identificaram uma residência em Cosmópolis que, segundo a PF, também funcionava como laboratório clandestino.
No local, o investigado manipulava matérias-primas importadas ilegalmente para produzir anabolizantes. Os insumos chegavam ao Brasil principalmente por meio de remessas postais e tinham origem em países da Ásia, Europa e América do Sul.
Entre os locais apontados nas investigações estão China, Paraguai, França e países do Leste Europeu.
Além disso, a organização utilizava empresas de fachada e contas bancárias registradas em nome de terceiros. Segundo a PF, os integrantes também recorriam a documentos e endereços falsos para dificultar o rastreamento das mercadorias.

Segundo suspeito foi preso em Roraima
Além do alvo localizado em Cosmópolis, a Polícia Federal prendeu outro investigado em Boa Vista (RR). Conforme as apurações, ele atuava como um dos principais responsáveis pela distribuição dos produtos fabricados no laboratório paulista.
As equipes também cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços de Cosmópolis, São Paulo (SP), Boa Vista e Rio de Janeiro (RJ). Com isso, os investigadores buscam reunir novas provas e identificar outras pessoas envolvidas na organização.
Justiça determinou bloqueio de bens
Além das prisões e das buscas, a Justiça Federal de Piracicaba determinou o bloqueio de valores mantidos em contas bancárias dos investigados.
A decisão também prevê a indisponibilidade de veículos e imóveis, além da quebra dos sigilos fiscal e telemático dos alvos da operação.
De acordo com a Polícia Federal, os produtos eram comercializados sem controle sanitário e sem prescrição médica. A investigação também aponta a circulação de substâncias proibidas no Brasil e de compostos sujeitos a restrições de comercialização.
Suspeitos podem responder por vários crimes
Os investigados poderão responder por organização criminosa, contrabando, importação e comércio de medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Além disso, a investigação apura possíveis crimes de falsidade ideológica e uso de documento falso.
A Operação Lavoslav contou com o apoio do 10º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) da Polícia Militar de Piracicaba. As investigações continuam para identificar outros integrantes do grupo e dimensionar a distribuição dos produtos em diferentes estados.