O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) será submetido nesta quarta-feira (31) a uma endoscopia digestiva alta para investigar possíveis causas de refluxo gastroesofágico, após a persistência de episódios de soluços intratáveis registrados durante sua internação em Brasília. A decisão ocorre após uma sequência de procedimentos realizados para bloquear os nervos frênicos, que controlam o diafragma.
Internado desde o dia 24 de dezembro no Hospital DF Star, Bolsonaro passou por uma cirurgia de correção de hérnia inguinal bilateral na manhã de Natal. Desde então, apresentou complicações relacionadas à atividade diafragmática, levando a intervenções anestésicas sucessivas com o objetivo de conter as crises de soluço.
Segundo o boletim médico mais recente, a equipe clínica optou por complementar o bloqueio dos nervos frênicos de forma bilateral, diante da ausência de resposta aos procedimentos anteriores.
Soluços intratáveis e tratamento multifatorial
Segundo os médicos que acompanham o caso, Bolsonaro apresenta um quadro de soluços persistentes, uma condição classificada como rara e de difícil manejo. O problema costuma estar relacionado a cirurgias abdominais recentes ou alterações gastrointestinais, exigindo cuidados prolongados no pós-operatório.
Desde o dia 27, Bolsonaro passou por três intervenções anestésicas para bloqueio do nervo frênico: primeiro do lado direito, depois do lado esquerdo, e por fim uma complementação bilateral na tentativa de reduzir os espasmos involuntários do diafragma. Esses bloqueios visam diminuir a atividade do músculo respiratório, geralmente hiperestimulado em casos de reflexos involuntários como o soluço crônico.
O ex-presidente segue em fisioterapia respiratória, utiliza terapia de CPAP durante a noite e permanece sob protocolo de acompanhamento clínico. As orientações médicas incluem restrição alimentar, fracionamento das refeições e uso contínuo de medicamentos específicos para minimizar os sintomas gástricos.
“Quadro extremamente raro, no Brasil nem há dados epidemiológicos. É decorrente de cirurgias abdominais e doenças gastrointestinais”, explicou o médico Brasil Caiado em entrevista coletiva. “Nós teremos cuidado com alimentação, fracionamos a dieta, a medicação e o bloqueio do nervo”, completou.
A última previsão de alta hospitalar mencionada pelos médicos, ainda sem confirmação atualizada, indicava a possibilidade de liberação no dia 1º de janeiro. Até o momento, não há nova estimativa oficial.