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Com vetos, prefeitura de Campinas sanciona programa contra a obesidade

Lei mantém ações educativas e acompanhamento multiprofissional, mas exclui tratamento com medicamento popularizado pela perda de peso
Com vetos, prefeitura de Campinas sanciona programa contra a obesidade

O prefeito de Campinas (SP), Dário Saadi (Republicanos), sancionou a lei que institui o Programa Municipal de Prevenção e Combate à Obesidade, mas vetou os dispositivos que autorizavam o uso da semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, na rede municipal do Sistema Único de Saúde (SUS).

A lei nº 16.868, publicada nesta quarta-feira (14) no Diário Oficial do Município, estabelece diretrizes voltadas à promoção de hábitos saudáveis e à redução do sedentarismo. As medidas preveem campanhas públicas, ações em escolas e unidades de saúde, além de diagnóstico precoce e acompanhamento multiprofissional. No entanto, a proposta de incluir o medicamento injetável como alternativa terapêutica foi rejeitada com base em impedimentos legais e técnicos.

Justificativa para o veto

Segundo a justificativa da prefeitura, a introdução de medicamentos no SUS é de competência federal e, portanto, escapa à alçada normativa dos municípios.

O Executivo municipal também citou o parecer negativo da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias) à adoção da semaglutida e da liraglutida no sistema público de saúde, como fundamento para o veto parcial ao projeto e deu exemplo jurisprudente de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) acerca de um caso de Jundiaí em 2012.

“Ato normativo impugnado que viola a separação dos poderes consagrada pela Constituição Federal – Previsão que extrapola os limites de competência e atribuição, não guardando coerência com o disposto nos artigos 1º e 144, da Constituição do Estado de São Paulo e tampouco com o artigo 24, incisos V e XII, da Constituição da República”, referiu o parecer técnico da Casa sobre a regulamentação do comércio de produtos químicos destinados a higienização e limpeza de Jundiaí em 2012.

prefeitura de campinas
Prefeitura de Campinas sanciona programa contra a obesidade atendendo ao parecer técnico jurídico sobre o tema (Foto: Divulgação)

Apesar da popularidade, o uso da semaglutida exige prescrição médica, acompanhamento clínico e está sujeito à regulação sanitária nacional, o que reforça os limites da atuação municipal no tema.

A Prefeitura reafirmou que o programa municipal seguirá focado em ações educativas, diagnóstico precoce, políticas de prevenção e organização de dados públicos sobre a obesidade. O uso de medicamentos como parte do tratamento permanecerá sob regulação federal.

“Dessa forma, em razão da necessidade de aplicação uniforme da matéria em âmbito nacional, tendo a União estabelecido normas gerais sobre o tema fixando a competência do Ministério da Saúde, não resta a espaço para a suplementação discrepante do Município, como já assentado pela jurisprudência”, informou o texto.

Ações previstas na nova política

Com o veto à parte medicamentosa, permanecem no texto aprovado:

  • campanhas de conscientização sobre os riscos da obesidade e do sedentarismo;
  • programas de educação nutricional e prática de atividades físicas em espaços comunitários;
  • protocolos para diagnóstico precoce em unidades de saúde;
  • acompanhamento multiprofissional de pessoas com sobrepeso;
  • criação de banco de dados municipal para monitoramento de casos;
  • fomento a estudos técnicos sobre tratamentos possíveis para a obesidade.

A Secretaria de Saúde do município ainda não se manifestou sobre prazos para implementação das ações previstas, mas a sanção da lei marca o início formal da política local de enfrentamento à obesidade.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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