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Homem na Lua: tudo sobre a Missão Artemis II, o voo tripulado à órbita lunar

Lançamento está previsto para 6 de fevereiro e marca etapa decisiva no programa da Nasa para retorno humano à Lua; tudo sobre a Missão Artemis II
Homem na Lua: tudo sobre a Missão Artemis II, o voo tripulado à órbita lunar

A Agência Espacial Americana (Nasa) programou para o próximo dia 6 de fevereiro o lançamento da Artemis 2, missão que levará quatro astronautas à órbita da Lua, em uma jornada de dez dias que marcará o primeiro voo tripulado para além da órbita terrestre baixa em mais de meio século.

O objetivo principal da missão é testar em ambiente real os sistemas que serão responsáveis por futuros pousos lunares. Entre eles, o Sistema de Lançamento Espacial (SLS) — conjunto de foguetes mais potente já desenvolvido pela Nasa — e a espaçonave Órion, que será usada também nas missões seguintes.

Como será o procedimento?

A Artemis 2 não prevê o pouso na superfície, mas funcionará como ensaio técnico completo para validar os procedimentos de navegação, comunicação e sobrevivência em longo curso fora da órbita terrestre.

Durante o trajeto, os astronautas viajarão milhares de quilômetros além da Lua, submetendo a nave à exposição direta de radiação espacial, em um teste considerado essencial para garantir a segurança das tripulações futuras.

Foguete SLS da missão Artemis II com a cápsula Orion integrada em base de lançamento da Nasa.
Foguete da Missão Artemis II, Orion (Foto: Nasa /Kim Shiflett)

A tripulação da Artemis 2

Designada em abril de 2023, a equipe inclui três astronautas da Nasa e um canadense, da Agência Espacial do Canadá (CSA).

  • O comandante será Reid Wiseman, com o piloto Victor Glover, que será o primeiro homem negro em missão lunar.

  • Completam o grupo a especialista Christina Koch, primeira mulher a ir à Lua, e o astronauta Jeremy Hansen, representante canadense.

A missão é um possível marco simbólico e técnico desde o programa Apollo, retomando os voos humanos no entorno lunar após mais de cinco décadas, desde o encerramento do programa, em 1972.

Tripulação da missão Artemis II: Jeremy Hansen, Victor Glover, Reid Wiseman e Christina Koch.
Da esquerda para a direita, Jeremy Hansen (especialista de missão); Victor Glover (piloto); Reid Wiseman (comandante); Christina Koch (especialista de missão) – Foto: Divulgação / Nasa

Nova corrida lunar

O interesse pela Lua foi reavivado no início dos anos 2000, após a identificação de água congelada em sua superfície. A possibilidade de extração de oxigênio e hidrogênio abriu novos horizontes para exploração espacial, ao oferecer matéria-prima tanto para suporte à vida quanto para fabricação de combustível.

Desde então, diversas agências têm redirecionado esforços para o satélite. China, Índia, Japão, Israel e os próprios Estados Unidos tentaram pousos lunares na última década. Apenas os chineses obtiveram sucesso, inclusive retornando à Terra com amostras do solo lunar. O governo chinês já anunciou que pretende realizar missões tripuladas até 2030.

Além da água, estudos apontam potencial presença de minerais estratégicos e fontes de energia alternativas, o que torna a Lua uma plataforma de ensaio para missões mais ambiciosas, como a colonização de Marte.

Disputa silenciosa

Embora o Tratado do Espaço Sideral de 1967 proíba a apropriação de corpos celestes por nações, especialistas observam que a ocupação efetiva da Lua pode estabelecer precedência nas futuras regras de exploração.

Com a expansão da corrida espacial e a entrada de atores privados e novos países, cresce a expectativa de que quem estabelecer bases primeiro terá maior protagonismo nos arranjos geopolíticos do espaço.

Além disso, a corrida tecnológica impulsionada pelas missões lunares também produz efeitos diretos na Terra. Desde sopas desidratadas até sistemas militares de última geração, muitos dos avanços incorporados ao cotidiano civil e bélico têm origem no desenvolvimento de tecnologias espaciais.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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