A Agência Espacial Americana (Nasa) programou para o próximo dia 6 de fevereiro o lançamento da Artemis 2, missão que levará quatro astronautas à órbita da Lua, em uma jornada de dez dias que marcará o primeiro voo tripulado para além da órbita terrestre baixa em mais de meio século.
O objetivo principal da missão é testar em ambiente real os sistemas que serão responsáveis por futuros pousos lunares. Entre eles, o Sistema de Lançamento Espacial (SLS) — conjunto de foguetes mais potente já desenvolvido pela Nasa — e a espaçonave Órion, que será usada também nas missões seguintes.
Como será o procedimento?
A Artemis 2 não prevê o pouso na superfície, mas funcionará como ensaio técnico completo para validar os procedimentos de navegação, comunicação e sobrevivência em longo curso fora da órbita terrestre.
Durante o trajeto, os astronautas viajarão milhares de quilômetros além da Lua, submetendo a nave à exposição direta de radiação espacial, em um teste considerado essencial para garantir a segurança das tripulações futuras.

A tripulação da Artemis 2
Designada em abril de 2023, a equipe inclui três astronautas da Nasa e um canadense, da Agência Espacial do Canadá (CSA).
- O comandante será Reid Wiseman, com o piloto Victor Glover, que será o primeiro homem negro em missão lunar.
- Completam o grupo a especialista Christina Koch, primeira mulher a ir à Lua, e o astronauta Jeremy Hansen, representante canadense.
A missão é um possível marco simbólico e técnico desde o programa Apollo, retomando os voos humanos no entorno lunar após mais de cinco décadas, desde o encerramento do programa, em 1972.

Nova corrida lunar
O interesse pela Lua foi reavivado no início dos anos 2000, após a identificação de água congelada em sua superfície. A possibilidade de extração de oxigênio e hidrogênio abriu novos horizontes para exploração espacial, ao oferecer matéria-prima tanto para suporte à vida quanto para fabricação de combustível.
Desde então, diversas agências têm redirecionado esforços para o satélite. China, Índia, Japão, Israel e os próprios Estados Unidos tentaram pousos lunares na última década. Apenas os chineses obtiveram sucesso, inclusive retornando à Terra com amostras do solo lunar. O governo chinês já anunciou que pretende realizar missões tripuladas até 2030.
Além da água, estudos apontam potencial presença de minerais estratégicos e fontes de energia alternativas, o que torna a Lua uma plataforma de ensaio para missões mais ambiciosas, como a colonização de Marte.
Disputa silenciosa
Embora o Tratado do Espaço Sideral de 1967 proíba a apropriação de corpos celestes por nações, especialistas observam que a ocupação efetiva da Lua pode estabelecer precedência nas futuras regras de exploração.
Com a expansão da corrida espacial e a entrada de atores privados e novos países, cresce a expectativa de que quem estabelecer bases primeiro terá maior protagonismo nos arranjos geopolíticos do espaço.
Além disso, a corrida tecnológica impulsionada pelas missões lunares também produz efeitos diretos na Terra. Desde sopas desidratadas até sistemas militares de última geração, muitos dos avanços incorporados ao cotidiano civil e bélico têm origem no desenvolvimento de tecnologias espaciais.