O engenheiro e ex-prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa, foi o convidado do último episódio do Tudo Pode Verão 2026, podcast da VTV SBT. A entrevista foi realizada no Estúdio de Verão montado na Praça das Bandeiras, no Gonzaga, neste sábado (14). A participação integra o projeto Santos, Seu Destino no Verão.
Atualmente diretor de Relações Governamentais da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), Papa falou sobre os desafios do abastecimento na Baixada Santista, especialmente durante a alta temporada, afinal, região tem cerca de 1,8 milhão de moradores fixos e pode receber até 6 milhões no verão.
Ao longo da conversa com Camila Albino, o dirigente abordou três pontos centrais: o impacto da população flutuante no sistema, a universalização do saneamento nas palafitas e o novo momento da Sabesp após a desestatização. Também detalhou investimentos, novas tecnologias e a necessidade de uso racional da água. “Água é um bem precioso, finito, vital”, resumiu.
Alta temporada pressiona sistema e exige integração entre cidades
Segundo Papa, o grande desafio da Baixada é lidar com oscilações bruscas de consumo. “Você tem que ter um sistema preparado para atender 1,8 milhão ao longo de 11 meses e, no verão, uma população três vezes maior”, afirmou. No último fim de ano, o consumo per capita subiu 60% por causa da onda de calor.
A solução tem sido ampliar a integração entre os municípios. Com sistemas interligados, é possível transferir água de uma cidade para outra em momentos de queda de produção. Ele citou obras como a interligação entre Santos e Guarujá e reforçou que o modelo integrado é “a solução ideal para uma região com essas características”.

Saneamento nas palafitas: ‘Não deixar ninguém para trás’
Outro ponto de destaque foi a ampliação da coleta de esgoto em áreas de palafitas, especialmente em Santos. Papa afirmou que o novo contrato prevê atendimento a 100% da população, exceto em áreas de risco geológico. “Nós incluímos o atendimento a 100% da população, esteja ela onde estiver”, declarou.
Ele classificou a iniciativa como uma realização profissional e destacou os impactos sociais, já que expectativa é que cerca de 3 mil moradias sejam atendidas nesta primeira etapa. “Nós vamos atender todo mundo com água tratada e com a coleta de esgoto”, disse, ressaltando reflexos na saúde pública, no rendimento escolar e na recuperação ambiental dos manguezais.
Novo modelo da Sabesp amplia investimentos e acelera obras
Papa também comentou o processo de desestatização da Sabesp e os efeitos práticos na execução de obras. Segundo ele, a mudança permitiu maior captação de recursos e agilidade nas contratações. “Até 2029, a Sabesp vai investir R$ 3,5 bilhões na Baixada Santista”, afirmou.
Ele destacou que a meta é antecipar a universalização do saneamento para 2029, quatro anos antes do prazo nacional. Para isso, a companhia aposta em tecnologia, estações modulares e sistemas mais resilientes às mudanças climáticas. “O uso racional da água é fundamental e depende de cada um de nós”, concluiu.
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