Com os crescentes casos de feminicídio no país, agora mais do que nunca os olhares sobre conteúdos publicados nas redes sociais têm se intensificado. A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a trend “Caso ela diga não”, que viralizou na internet e simula reações violentas de homens após uma rejeição amorosa.
A investigação começou após denúncias sobre vídeos que circularam principalmente no TikTok durante o mês do Dia Internacional da Mulher. Nas publicações, homens encenam situações românticas – como pedidos de casamento – e após receberem um “não”, passam a simular agressões físicas, incluindo socos, chutes e até ataques com armas.
A apuração está sendo conduzida pela diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal. Como parte das primeiras medidas, a corporação solicitou a retirada de alguns conteúdos e a derrubada de perfis que divulgaram os vídeos. Parte do material já foi removida pelas plataformas digitais.
Além disso, os investigadores pediram a preservação dos dados das publicações para que possam ser analisados no decorrer do inquérito.
Conteúdos geraram repercussão nas redes
Mesmo após as remoções, alguns vídeos ainda circulam na internet com frases como “treinando caso ela diga não” ou variações da expressão. A dinâmica das publicações geralmente começa com gestos considerados românticos, que rapidamente se transformam em encenações de violência após a suposta rejeição da mulher.
A repercussão negativa foi imediata. Diversos usuários e influenciadores criticaram a trend, apontando que o conteúdo banaliza a violência de gênero e reforça comportamentos perigosos.
Entre eles está a influenciadora Hana Khalil, que publicou críticas afirmando que esse tipo de vídeo contribui para a normalização da misoginia e da violência contra mulheres.
Paralelamente à investigação da Polícia Federal, o tema também chegou ao Congresso. A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados deve analisar um requerimento que solicita à Procuradoria-Geral da República a abertura de investigação sobre a trend. A proposta foi apresentada pelo deputado federal Pedro Campos.
O pedido também prevê que plataformas digitais sejam oficiadas para fornecer informações sobre o alcance das publicações, dados de autoria dos perfis e quais medidas foram adotadas para conter a disseminação do conteúdo.
Violência em números no Brasil
A investigação ocorre em meio ao aumento dos casos de violência contra mulheres no Brasil. Em 2025, o país registrou 1.568 feminicídios, o maior número da última década.
O total representa um crescimento de 4,7% em relação a 2024, quando foram contabilizados 1.492 casos, o equivalente a cerca de quatro mulheres assassinadas por dia no país.