Com a chegada do outono, que deve começar neste sábado 21 de março, as mudanças no clima começam a refletir diretamente na saúde da pele e do couro cabeludo. A diminuição da umidade do ar, combinada com temperaturas mais amenas e banhos mais quentes, favorece o ressecamento da pele, a descamação, a coceira e até o aumento da queda de cabelo, fenômeno conhecido como queda capilar sazonal.
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o clima mais seco contribui para a perda de água da pele, comprometendo a chamada barreira cutânea – estrutura responsável por proteger o organismo contra agentes externos, poluição e microrganismos.
De acordo com o dermatologista José Roberto Fraga Filho, membro titular da entidade e diretor clínico do Instituto Fraga de Dermatologia, manter o organismo bem hidratado é essencial para preservar o equilíbrio da pele.
“A água funciona como o óleo de um motor. Quando essa lubrificação não acontece de forma adequada, o funcionamento do organismo também fica comprometido. Cerca de 70% do corpo humano é composto por água, e a pele depende diretamente dessa hidratação para manter sua função de proteção”, explica o especialista.
Danos do verão ficam mais evidentes
Além do ressecamento mais intenso, o outono também costuma evidenciar danos acumulados ao longo do verão, principalmente aqueles provocados pela exposição solar excessiva.
Em um país de clima tropical como o Brasil, a exposição ao sol faz parte da rotina de muitas pessoas. Embora o bronzeamento seja culturalmente valorizado, o hábito pode acelerar o fotoenvelhecimento da pele e favorecer o surgimento de manchas.
Segundo o dermatologista, em pessoas predispostas, a exposição frequente e sem proteção também pode aumentar o risco de desenvolver câncer de pele ao longo da vida.
Estação favorece tratamentos dermatológicos
Por outro lado, o outono também é considerado um período estratégico para quem busca tratamentos dermatológicos mais intensos. Com a redução da radiação solar, muitos procedimentos podem ser realizados com maior segurança.
Entre os tratamentos mais comuns nessa época estão lasers dermatológicos e peelings químicos, indicados para melhorar a textura da pele, tratar manchas e reparar danos causados pelo sol.
Mesmo com a diminuição da incidência solar, os especialistas reforçam que alguns cuidados básicos devem ser mantidos durante toda a estação. Entre eles estão a limpeza adequada da pele, o uso diário de hidratantes e a aplicação de protetor solar.
Atenção redobrada com idosos
Os cuidados precisam ser ainda maiores entre a população idosa. Com o envelhecimento, a pele tende a produzir menos oleosidade natural e perde parte da capacidade de reter água, o que aumenta o risco de ressecamento intenso.
Nessas condições, podem surgir descamações mais evidentes, coceira e até pequenas fissuras na pele, que aumentam a vulnerabilidade a infecções cutâneas.
Por isso, especialistas recomendam hidratação frequente, preferência por sabonetes suaves e atenção redobrada com a alimentação.
“Além dos cuidados externos, manter uma dieta equilibrada e priorizar alimentos frescos também contribui para a saúde da pele. O cuidado precisa acontecer de dentro para fora”, orienta o dermatologista.