Dias antes do suposto feminicídio da soldado da Polícia Militar,Gisele Alves Santana, mensagens trocadas com o marido, o tenente-coronel de 53 anos, já indicavam um relacionamento marcado por controle, ciúmes e tentativas de imposição de poder. Geraldo Leite Rosa Neto foi preso pelo crime e, antes da detenção, negou envolvimento.
De acordo com relatório da Polícia Civil, a vítima, de 33 anos, chegou a afirmar ao companheiro que estava “praticamente solteira”. A resposta veio em tom agressivo, “Jamais! Nunca será”.
As conversas, obtidas durante a investigação, mostram um padrão de comportamento descrito pelos investigadores como de “extrema possessividade e negação” diante da possibilidade de separação.
Em diversos trechos, o tenente-coronel estabelece regras para o relacionamento, condicionando a permanência da esposa ao cumprimento de exigências. “Enquanto estiver casada comigo […] as coisas serão do meu jeito”, escreveu. Em outra mensagem, afirma que, por ser o provedor da casa, caberia a ela “cumprir regras”.
Relação marcada por controle e humilhação
Segundo a Polícia Civil, a análise do celular aponta que era a vítima quem insistia no divórcio, motivada por agressões verbais, desrespeito e um tratamento que classificava como humilhante.
As conversas em texto também indicam controle sobre a vida pessoal da soldado, incluindo o acesso às redes sociais e até a exclusão de contatos. Em um dos diálogos, ela afirma que não tinha mais ninguém na lista porque o marido havia apagado.
O relatório ainda destaca episódios de chantagem financeira, em que o militar utilizava o fato de arcar com despesas da casa como forma de pressão.

Discurso de submissão e ódio
Em meio às conversas, Geraldo Leite Rosa Neto descreve o modelo de relação que esperava: “marido provedor” e “esposa submissa”. Em outro trecho, afirma tratar a companheira com “autoridade de macho alfa” e que a mulher deveria ser “obediente”.
“Mulher comprometida tem que ter foto junto com o namorado, noivo ou marido. Pra outros machos ver a foto juntos e já desanimar e cair fora. (…) Casamento é uma via de mão dupla. Os dois têm que contribuir para dar certo. Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo.”, escreveu o coronel em uma das mensagens.
Para os investigadores, esse conjunto de mensagens revela um ambiente de abuso psicológico, machismo e tentativa de dominação.
Além do controle, a vítima também relatou episódios de violência física. Em uma das mensagens, afirmou ter sido agredida pelo marido um dia antes de sua morte, “enfiou a mão na minha cara”.
Há ainda registros de ofensas e desqualificação, incluindo xingamentos e ataques à posição profissional da soldado, chamando-a de “lixo”, “sem teto” e “burra”.
O caso segue sob investigação, com análise detalhada de cada elemento reunido pelas autoridades. Em situações de violência ou risco, a orientação é procurar ajuda por meio do telefone 180, canal nacional de atendimento à mulher.
A defesa de Geraldo Leite Rosa Neto foi procurada mas não respondeu até o momento.