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Tenente preso por morte de soldada é acusado de tê-la agredido no quartel

Testemunhas afirmam que o relacionamento conturbado do casal se refletia dentro da unidade policial
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A soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi agredida dentro da sede do Comando-Geral da Polícia Militar de São Paulo pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, segundo depoimentos de policiais ouvidos pela investigação. Neto está preso sob acusação de matar a policial, com quem era casado, em fevereiro deste ano.

Os relatos foram prestados à Polícia Civil por agentes que trabalhavam com Gisele na unidade, conforme o jornal Folha de São Paulo. De acordo com os depoimentos, casos de agressão e discussões entre o casal ocorreram dentro do quartel-general, onde a soldado atuava no Departamento de Suporte Administrativo.

Apesar disso, não há registro na ficha funcional do tenente-coronel de investigação relacionada a essas denúncias. A defesa afirmou que desconhece as acusações de agressões anteriores. Já a Polícia Militar (PM) informou que todas as denúncias recebidas pela Corregedoria foram apuradas e que há procedimento em andamento.

Possível agressão

Dois depoimentos descrevem um possível episódio de agressão dentro de um corredor que liga o setor administrativo à reserva de armas de um quartel. Segundo os relatos, o tenente-coronel teria abordado Gisele durante uma discussão e, em meio ao desentendimento, segurado a soldado pelos braços, pressionando-a contra a parede. Em outra versão, o oficial ainda teria levado a mão ao pescoço da vítima.

As testemunhas afirmam que a situação pode ter sido registrada por câmeras de segurança instaladas no local. Embora a data exata não tenha sido confirmada oficialmente, uma policial relatou que o caso teria ocorrido antes do casamento dos dois, em junho de 2024.

O ex-marido de Gisele contou que ela mencionou ter sido “chacoalhada” pelo tenente-coronel durante uma discussão no trabalho e que precisou ser contida por outros policiais que estavam no local. Já uma colega disse ter presenciado o momento em que o oficial encurralou a soldado em um dos espaços do departamento.

Câmeras corporais mostram PMs ‘constrangidos’ diante de tenente-coronel – Foto: Polícia Civil e reprodução

Relembre o caso

Gisele morreu na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido, no Brás, região central de São Paulo. Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio após o próprio tenente-coronel relatar que encontrou a esposa caída, com um tiro na cabeça e uma arma na mão. Ela ainda foi socorrida e levada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos.

Com o avanço das investigações, porém, a dinâmica da morte passou a ser questionada. Laudos periciais apontaram que o disparo foi feito com a arma encostada na cabeça, e exames posteriores identificaram marcas no pescoço e no corpo da vítima, compatíveis com agressões. Peritos também indicaram que Gisele pode ter sido imobilizada ou até ter desmaiado antes do tiro, além de não apresentar sinais de defesa.

Ao longo de um mês, novas provas vieram à tona, incluindo mensagens que indicavam um relacionamento marcado por controle, ciúmes e ameaças. A Justiça determinou a exumação do corpo, e novos laudos reforçaram a suspeita de violência anterior ao disparo. Diante desse conjunto de evidências, a investigação mudou de rumo e passou a tratar o caso como homicídio.

Com base nos laudos e depoimentos, a Polícia Civil solicitou a prisão do tenente-coronel, que foi decretada pela Justiça Militar em 18 de março. Ele foi detido em São José dos Campos e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes. Mesmo após a prisão, o oficial manteve a versão de suicídio.

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  • Redação VTV

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