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Cãoterapia: como a terapia assistida por cães auxilia crianças com Autismo

Interação com os animais pode estimular comunicação, vínculo emocional e desenvolvimento sensorial de crianças dentro do espectro
Criança autista em sessão de terapia assistida por animais para desenvolvimento social e afetivo.

O vínculo entre humanos e animais tem sido cada vez mais utilizado como ferramenta terapêutica em diferentes áreas da saúde. Neste 2 de abril, celebrado como o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, a prática ganha ainda mais relevância ao evidenciar alternativas que contribuem para o desenvolvimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Entre essas abordagens está a cãoterapia, modalidade de terapia assistida por cães que vem demonstrando benefícios importantes no desenvolvimento desse público.

A prática utiliza a interação estruturada entre a criança e o animal para estimular habilidades socioemocionais, cognitivas e sensoriais. Durante as atividades, os cães atuam como mediadores do processo terapêutico, ajudando a criar um ambiente mais acolhedor e motivador para a criança.

No PAICA (Programa de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente), organização sem fins lucrativos localizada em Campinas (SP), que atua no atendimento interdisciplinar de 85 crianças e adolescentes com TEA e suas famílias, a cãoterapia tem se mostrado uma importante aliada no acompanhamento terapêutico.

Segundo Roberta Micuci Marques, fisioterapeuta, psicomotricidade e coordenadora técnica do PAICA, a proposta é utilizar diferentes estratégias terapêuticas que contribuam para o bem-estar e a autonomia dos atendidos.

“Na maioria das vezes, o cão atua como facilitador do vínculo, da comunicação e da participação nas atividades propostas. As sessões são estruturadas com objetivos previamente definidos. Podem incluir atividades como comandos simples, circuitos motores, jogos de turno, escovação do animal, treino de habilidades sociais e atividades de regulação emocional e sensorial. O ambiente é organizado, previsível e seguro, respeitando o perfil sensorial de cada participante.”, completa a coordenadora técnica do Paica.

A especialista destaca que a terapia pode ser aplicada em diferentes perfis dentro do espectro, desde que seja feita uma avaliação individualizada.

“A cãoterapia pode ser indicada para todos os níveis de suporte. Com uma avaliação prévia da equipe, é possível considerar aspectos como sensibilidade sensorial, medo de animais, alergias e condições comportamentais específicas. A indicação é sempre individualizada e integrada ao planejamento terapêutico”, afirma Roberta.

Além disso, ela complementa dizendo que para garantir que a atividade seja segura e eficiente, os cães que participam desse tipo de intervenção passam por avaliações e treinamentos específicos.

“Toda avaliação é realizada pela equipe da ATEAC – Instituto para Atividades, Terapia e Educação Assistida por Animais de Campinas. Geralmente tanto o condutor, como o cão, passam por treinamentos. Um dos fatores preponderantes, são as características da personalidade do cão, como amorosidade, fidelidade e paciência. O animal é treinado para não ter reações que seriam naturais, caso a criança puxe seu pelo, por exemplo. O cão precisa apresentar: Temperamento dócil e equilibrado, alta tolerância a estímulos diversos, sociabilidade, obediência básica consolidada, treinamento específico para atuação terapêutica e acompanhamento veterinário regular.”, conclui Roberta Marques.


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Autor

  • Pietra Mesquita

    Jornalista formada pela PUC-Campinas, com experiência em produção de conteúdo, redação, redes sociais e atuação jornalística multiplataforma. Interessada por cinema, entretenimento e cultura digital.

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