O economista e ex-presidente do Banco Central, Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, de 80 anos, morreu nesta sexta-feira (8), no Rio de Janeiro. Conhecido como Chico Lopes, ele estava internado há um mês após sofrer uma parada cardíaca durante uma cirurgia de úlcera. Deixa esposa, três filhos e sete netos. O velório será realizado neste sábado (9), a partir das 13h, no Cemitério do Caju (RJ).
Formado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lopes obteve seu doutorado em Harvard (EUA) e lecionou em instituições renomadas, como a Universidade de Brasília (UnB), a Fundação Getulio Vargas (FGV) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
Chico presidiu o Banco Central por apenas 19 dias, entre janeiro e fevereiro de 1999, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Ele assumiu o posto em meio à crise de desvalorização do real, mas deixou o cargo após o fracasso de sua proposta para a implementação do sistema de câmbio flutuante.
Nota do Banco Central
A Diretoria do Banco Central do Brasil recebe com profundo pesar a notícia do falecimento de Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, o Chico Lopes, ocorrido nesta data.
Economista de formação singular — graduado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestre pela Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getulio Vargas e doutor pela Universidade de Harvard —, Francisco Lopes dedicou décadas de sua vida intelectual ao enfrentamento do maior desafio macroeconômico de seu tempo: a inflação crônica brasileira dos anos 1980 e 1990.
No Banco Central Francisco Lopes serviu como diretor entre 1995 e 1998 e, brevemente, como presidente interino em janeiro e fevereiro de 1999, tendo deixado o Banco Central em março do mesmo ano. Sua contribuição mais duradoura ao Banco Central foi a criação e institucionalização do Comitê de Política Monetária — o Copom —, governança que até hoje norteia a condução da política monetária do País, conferindo previsibilidade, transparência e rigor técnico às decisões sobre a taxa básica de juros.
A Diretoria do Banco Central do Brasil presta sua homenagem a um economista que marcou a história da estabilização econômica brasileira e deixa, na memória desta casa e no pensamento econômico nacional, um legado de inteligência, ousadia intelectual e dedicação ao País.
Nossos sinceros sentimentos à família e aos amigos.