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Pesquisa revela que 60% dos brasileiros temem agressão por opinião política

Datafolha aponta alta no medo da violência política entre mulheres e população mais pobre
Eleitor brasileiro demonstrando preocupação com clima de tensão e violência política nas eleições.

A cinco meses das próximas eleições, o clima de tensão entre os eleitores brasileiros continua alto. Uma nova pesquisa do Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela que 6 em cada 10 brasileiros (60%) têm medo de sofrer agressões físicas devido às suas escolhas políticas ou partidárias. O levantamento, realizado presencialmente em todo o país, acende um alerta para o impacto da polarização e do crime organizado no processo democrático.

Manifestação política limitada por polarização e medo de agressões físicas segundo dados do Datafolha.
Pesquisa indica que a polarização e a presença do crime organizado inibem a livre manifestação política de milhões de brasileiros

Medo persiste desde o último pleito

Embora o índice atual de 60% seja ligeiramente inferior aos 68% registrados há quatro anos, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública destaca que a preocupação não reduziu de forma significativa. O cenário de 2022, marcado por confrontos e questionamentos ao sistema eleitoral, deixou uma percepção de risco que vai além da experiência imediata dos cidadãos.

Os dados mostram que a violência política não é apenas um receio abstrato: 2,2% dos entrevistados afirmaram ter sido vítimas de violência política nos últimos 12 meses. Projetando esse percentual para a população total, estima-se que entre 2,6 milhões e 4,7 milhões de brasileiros sofreram algum tipo de agressão ou ameaça por motivação política no último ano.

Infográfico detalhando estatísticas de violência política no Brasil com projeção de milhões de vítimas.

Mulheres e classes pobres são os alvos mais frequentes

A sensação de insegurança não é distribuída de forma igualitária na sociedade. O estudo aponta recortes demográficos específicos:

  • Gênero: O medo é maior entre as mulheres (65%) do que entre os homens (53%).
  • Renda: A prevalência do receio atinge 64% nas classes D e E, enquanto na classe C o índice é de 59%. Já nas classes A e B, o número cai para 55%.

A influência do crime organizado nas eleições

Um fator preocupante revelado pela pesquisa é a “governança criminal”. Cerca de 41% dos entrevistados relataram a presença de tráfico de drogas ou milícias em seus bairros. Desse grupo, 59% evitam se manifestar politicamente para não sofrer represálias desses grupos.

Segundo Renato Sérgio de Lima, presidente do FBSP e professor da FGV, a política tornou-se um “tabu” em áreas dominadas pelo crime, onde facções tentam influenciar diretamente os resultados eleitorais.

Metodologia

A pesquisa Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros. As entrevistas foram realizadas de forma presencial. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.


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Autor

  • Beatriz Biaggioni

    Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Comunicativa e curiosa, gosto de ouvir histórias, aprender com as pessoas e transformar isso em comunicação com sentido. Em constante crescimento, com olhar atento e vontade de fazer bem feito.

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