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Exaustão materna vai além do cansaço e exige atenção; entenda os sinais

Os impactos da sobrecarga emocional e da pressão sobre mães na rotina diária
Mulher com expressão de cansaço profundo e mãos na cabeça, ilustrando o quadro de exaustão materna e esgotamento físico.

A maternidade costuma ser associada à felicidade e realização pessoal, mas a realidade de muitas mulheres pode ser diferente dessa imagem idealizada. A rotina de muitas mães começa antes do amanhecer e termina tarde da noite.

Entre noites mal dormidas, excesso de responsabilidades e pressão constante, cresce o número de mães que enfrentam a chamada exaustão materna, um quadro marcado pelo esgotamento físico e emocional.

O problema vai além do desgaste comum da maternidade. Quando o esgotamento se torna frequente, persistente e começa a afetar o humor, a saúde mental e a relação com a própria rotina, especialistas alertam para a importância de procurar ajuda.

Patricia L. Mekler, coordenadora do serviço de Psicologia do Hospital e Maternidade Sepaco, explica que existe diferença entre o cansaço esperado e um quadro mais profundo de sobrecarga emocional.

“Nos primeiros meses, é esperado que a mãe esteja mais cansada, principalmente pelas mudanças no sono, na rotina e pelo aumento das demandas. Esse cansaço tende a melhorar quando ela consegue descansar um pouco mais e receber ajuda nas tarefas do dia a dia. Já a exaustão é um cansaço mais profundo e persistente”, afirma.

A questão pode atingir mães em diferentes fases da maternidade e, muitas vezes, acaba sendo ignorado ou tratado apenas como “parte do processo”.

Mãe sentada em momento de fadiga, evidenciando que a exaustão materna vai além do cansaço comum e exige atenção aos sinais de esgotamento. Foto: Magnific
Foto: Magnific

O que é exaustão materna?

A exaustão materna, ou “Mommy Burnout”, acontece quando a sobrecarga emocional e física ultrapassa os limites saudáveis. O quadro se aproxima do burnout, com sintomas que afetam a rotina, a saúde mental e até o relacionamento da mãe com as pessoas ao redor.

Entre os sinais mais comuns estão irritabilidade, sensação constante de fracasso, dificuldade de concentração, desânimo, insônia e fadiga intensa.

Em alguns casos, o esgotamento também provoca sintomas físicos, como dores no corpo, dor de cabeça, tontura e alterações de humor.

“Mesmo quando há oportunidade de descansar, a sensação de esgotamento continua. Muitas vezes, emocionalmente elas estão mais distantes e fazendo as coisas no automático”, afirma Patricia.

Quais são os sintomas do burnout materno?

Os sintomas podem surgir de forma gradual e variar de intensidade. Em alguns casos, o esgotamento emocional também provoca reações físicas.

Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Fadiga constante;
  • Irritabilidade;
  • Crises de choro;
  • Desânimo frequente;
  • Dificuldade de concentração;
  • Alterações de humor;
  • Insônia;
  • Sensação de fracasso;
  • Dores no corpo;
  • Dor de cabeça;
  • Ansiedade;
  • Sensação de estar “no limite”.

Quando esses sintomas começam a afetar a qualidade de vida e a rotina da mãe, especialistas recomendam buscar apoio psicológico.

Pressão social pode agravar o quadro

A especialista destaca que a romantização da maternidade contribui para o aumento da culpa e da frustração entre as mães.

“Essa ideia de que a maternidade é sempre prazerosa, feliz e leve, o tempo todo, na verdade não condiz com a realidade. Então muitas mulheres começam a comparar e acreditar que têm alguma coisa de errado acontecendo com elas quando se sentem exaustas e cansadas”, avalia a psicóloga.

Além das responsabilidades com os filhos, muitas mulheres ainda acumulam funções profissionais, domésticas e emocionais, o que intensifica a sensação de sobrecarga.

Segundo Patricia, as redes sociais também podem piorar esse cenário ao reforçarem padrões irreais de maternidade perfeita.

“A maternidade sempre foi desafiadora, porém, hoje em dia, a mulher conquistou e acumulou muitos papéis e tarefas. Soma-se a isso a pressão das redes sociais, que reforçam padrões idealizados de vida e maternidade”, alerta.

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Mulher em ambiente doméstico demonstrando sinais de esgotamento emocional e a pressão constante da rotina de cuidados na maternidade. Foto: Magnific
Foto: Magnific

O que fazer para lidar com a exaustão materna?

Especialistas orientam que o primeiro passo é reconhecer os próprios limites e entender que pedir ajuda não significa fracasso.

Pequenas mudanças na rotina também podem ajudar a aliviar a sobrecarga emocional.

Confira algumas atitudes que podem fazer diferença:

  • Dividir responsabilidades;
  • Criar momentos de descanso;
  • Dormir melhor;
  • Reduzir comparações nas redes sociais;
  • Conversar sobre dificuldades e frustrações;
  • Reservar momentos de autocuidado;
  • Praticar atividades físicas;
  • Buscar acompanhamento psicológico.

O tratamento pode incluir terapia e, em alguns casos, acompanhamento psiquiátrico.

Quando procurar ajuda?

Especialistas orientam que a busca por ajuda deve acontecer logo nos primeiros sinais de sofrimento emocional persistente.

Quando o cansaço começa a afetar a rotina, os relacionamentos e o bem-estar emocional, o acompanhamento psicológico pode ajudar a reorganizar a rotina e aliviar a sobrecarga.

A rede de apoio também faz diferença nesse processo. Dividir tarefas, aceitar ajuda e falar sobre dificuldades pode reduzir o peso emocional da maternidade.

“Brincamos que quando nasce uma mãe, nasce também a culpa. As coisas não vão sair da forma como foi planejado cem por cento das vezes. Falar sobre isso e compartilhar essa experiência pode trazer alívio e ajudar a construir um caminho mais saudável”, conclui a psicóloga.


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Autor

  • Bruna Santos

    Jornalista e redatora com experiência em produção de conteúdo digital. Atuou em portais de notícia, rádio e agências, escrevendo para áreas como finanças, saúde, direito e bem-estar. Pós-graduada em Comunicação e Marketing, se especializou em produção de conteúdo informativo para sites.

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