A Polícia Civil prendeu, no Rio de Janeiro, um homem de 45 anos durante a operação “Boa Noite Cinderela”, conduzida pela UPJA de Piracicaba com apoio de policiais civis fluminenses. Segundo as investigações, a vítima conheceu o suspeito pelo aplicativo Grindr e o levou para casa após conversas na plataforma.
De acordo com a polícia, durante um jantar, o investigado teria colocado uma substância sedativa na comida, fazendo a vítima perder a consciência e acordar apenas dois dias depois. Nesse período, ele teria realizado transferências via PIX, acessado contas bancárias, feito compras com cartões, contratado empréstimos e ainda cometido abuso sexual. Além disso, o suspeito utilizava identidades falsas, múltiplas linhas telefônicas e diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento. Um exame toxicológico confirmou o uso de Clonazepam.
Crimes digitais avançam e migram para apps de relacionamento
Além desse caso, autoridades alertam que os chamados “golpes do amor” vêm crescendo de forma acelerada. De acordo com relatório da Febraban Tech, as fraudes digitais geraram cerca de US$ 442 bilhões em prejuízos no mundo apenas em 2025. Ao mesmo tempo, foram registradas 170 milhões de ocorrências criminais globais.
No Brasil, as perdas chegaram a R$ 10,1 bilhões em 2024. Além disso, quatro em cada dez brasileiros já relataram ter sido vítimas de algum tipo de fraude digital.
Apps de namoro são alvo pela rapidez das conexões
Segundo especialistas, criminosos têm utilizado inteligência artificial para criar perfis cada vez mais realistas, com imagens manipuladas, vídeos falsos e até chamadas por deepfake. Assim, a identificação dos golpistas se torna ainda mais difícil.
Além disso, o próprio Grindr aponta que criminosos exploram esses aplicativos porque sabem que os usuários buscam conexões rápidas e baseadas em confiança emocional. Por isso, aplicativos de relacionamento se tornaram um dos principais ambientes para aplicação de golpes digitais.

Relato de usuário mostra mudança de comportamento
Em relato ao VTV News, Lucas Martins, de 24 anos, contou que decidiu se afastar do Grindr após acompanhar casos de golpes e crimes envolvendo aplicativos de relacionamento. Ele afirma que usava a plataforma para conversar e marcar encontros, porém passou a sentir receio.
“Conheci muita gente bacana por lá, mas a gente vê cada notícia… achei melhor parar por um tempo. Às vezes brincamos demais com a sorte”, relatou.
Como os golpistas agem nas plataformas
De acordo com orientações da própria plataforma, criminosos costumam agir de diferentes formas, principalmente por meio de:
- perfis falsos
- pedidos de dinheiro via PIX
- chantagem com fotos íntimas
- golpes afetivos
- sequestros após encontros
- roubo de dados bancários
- invasão de celulares e contas digitais
Mesmo com sistemas de inteligência artificial e moderação 24 horas, empresas admitem que os criminosos se adaptam rapidamente.
Golpes vão além de um único aplicativo
Embora o caso tenha relação com o Grindr, especialistas reforçam que as fraudes atingem diversas plataformas. Entre os golpes mais comuns estão o falso delegado, o “Sugar Daddy”, a sextorsão e os sequestros após encontros marcados online.
Polícia alerta para sinais de perfis suspeitos
As autoridades recomendam atenção a perfis que:
- tentam sair rapidamente do aplicativo
- pedem dinheiro logo no início da conversa
- solicitam códigos de verificação
- evitam chamadas de vídeo
- usam fotos excessivamente produzidas
- demonstram intimidade muito rápida
Além disso, especialistas reforçam que nunca se deve compartilhar senhas, códigos SMS ou dados bancários.
Psicóloga alerta para manipulação emocional
Em entrevista ao VTV News, a psicóloga Malú Lima explicou que criminosos exploram fragilidades emocionais e a busca por afeto.
Segundo ela, a sensação de conexão rápida faz com que muitas vítimas baixem a guarda. “Muitas vezes, a vítima acredita que encontrou alguém genuíno e acaba confiando rápido demais”, destacou.
Ela também alerta que, além do prejuízo financeiro, as vítimas podem desenvolver ansiedade, medo e dificuldade de voltar a se relacionar.
Dicas de segurança para evitar golpes
- marcar encontros em locais públicos
- avisar amigos ou familiares
- evitar compartilhar endereço rapidamente
- não aceitar caronas de desconhecidos
- desconfiar de pedidos financeiros
- ativar autenticação em dois fatores
- pesquisar perfis antes do encontro
Vítimas de golpes digitais, extorsão ou violência podem registrar boletim de ocorrência em delegacias da Polícia Civil ou pela Delegacia Eletrônica. Denúncias anônimas também podem ser feitas pelo Disque Denúncia, no telefone 181.