A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (28) o primeiro aumento no preço da gasolina para as distribuidoras após quase dois anos sem registrar nenhuma alta. O reajuste bruto de R$ 0,48 por litro entra em vigor a partir de amanhã. No entanto, o motorista quase não sentirá o impacto. O governo federal aplicará um subsídio que reduz o aumento real nas refinarias para apenas R$ 0,04 por litro. A medida tenta conter os reflexos internos da disparada do petróleo no mercado internacional, motivada pela guerra no Oriente Médio.
Como funciona o subsídio do governo
O impacto do reajuste bruto de 18,6% caiu por conta de um desconto de R$ 0,44 por litro bancado pelo Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto na última segunda-feira (25) que estabelece essa subvenção econômica com duração de dois meses. Os recursos vão direto para os produtores e importadores por meio da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
Com o abatimento, o preço médio da gasolina A (combustível puro e sem álcool) passa de R$ 2,57 para R$ 2,61 nas refinarias. O conselho de administração da Petrobras aprovou a adesão à subvenção. A estatal informou que a medida preserva a sua estratégia comercial e atende aos interesses dos investidores públicos e privados.
Impacto nas bombas de combustível
A mistura obrigatória do combustível comercializado diminui ainda mais o repasse para o consumidor final. A gasolina C vendida nos postos contém 70% de gasolina A e 30% de etanol anidro.
Por causa dessa composição, a parcela da petroleira no preço final sobe de R$ 1,80 para R$ 1,83. A empresa calcula que o aumento máximo será de R$ 0,03 por litro nas bombas. O repasse final depende exclusivamente dos revendedores, que avaliarão suas margens de lucro.

Histórico de Preços da Gasolina
Desde a última alta registrada em 2024, a Petrobras vinha aplicando reduções seguidas no combustível:
- Julho de 2025: -5,4%
- Novembro de 2025: -5%
- Janeiro de 2026: -5,2%
Guerra no Oriente Médio pressiona o setor
A decisão da Petrobras encerra um longo período sem altas, pressionada pelo cenário externo. Desde o início da guerra envolvendo o Irã, em 28 de fevereiro, a cotação do barril de petróleo tipo Brent disparou. O valor da referência internacional saltou de US$ 72,48 para a casa dos US$ 94 a US$ 98.
O motivo principal é o bloqueio do Estreito de Hormuz. A região funciona como rota de passagem para 20% do petróleo mundial. Mesmo sem o reajuste oficial da estatal até então, os combustíveis subiram nos postos brasileiros. Segundo dados da ANP, a gasolina acumulou alta de 5,4% desde o início do conflito, elevando o preço médio do litro de R$ 6,28 para R$ 6,62.
De acordo com a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), os preços da estatal operavam com defasagem média de 70% em relação ao mercado internacional, o que representa R$ 1,51 abaixo da paridade.
O reajuste já havia sido antecipado pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante a última conferência de resultados do primeiro trimestre. Na ocasião, a executiva pontuou que o subsídio daria margem para o reajuste interno da empresa, sem repassar o peso da crise internacional para as costas do consumidor.