O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a pesquisa da AtlasIntel registrada sob o número BR-06939/2026. O levantamento referia-se ao cargo de presidente da República para as eleições de 2026 e, dentre as perguntas, questionava os entrevistados sobre o áudio do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
A decisão liminar, divulgada nesta segunda-feira (8), foi proferida pelo presidente do Tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, sob a justificativa de que o questionário induzia o eleitor. O pedido de suspensão foi apresentado pelo Partido Liberal (PL), que argumentou que as perguntas foram formuladas para direcionar as respostas e, consequentemente, prejudicar Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
De acordo com a análise preliminar de Nunes Marques, houve indução e contaminação das respostas, inclusive por meio da menção a áudios de uma investigação em andamento.
“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com os questionários de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa”, informou o ministro.
Além disso, para Nunes Marques, há indícios de que “a pesquisa possa ter extrapolado os limites da regular aferição estatística”. O ministro apontou ainda que o CEO da AtlasIntel reconheceu à CNN, em maio, o viés político do conteúdo submetido aos entrevistados e o desgaste eleitoral que isso representava.
“A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, concluiu o ministro.