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Ceratocone pode causar perda progressiva da visão; hábito comum aumenta o risco

Doença costuma surgir na adolescência e pode evoluir ao longo dos anos; diagnóstico precoce ajuda a preservar a visão
Close-up de um olho humano com foco na córnea, representando a estrutura ocular afetada pelo ceratocone e a importância da saúde visual.

O ceratocone é uma doença ocular que afeta a córnea, estrutura transparente localizada na parte da frente dos olhos. Apesar de pouco conhecida pela população, a condição pode comprometer significativamente a qualidade da visão quando não recebe tratamento adequado.

A doença costuma surgir entre a adolescência e o início da vida adulta e provoca uma alteração gradual no formato da córnea, que se torna mais fina e passa a assumir um formato semelhante ao de um cone. Como consequência, a visão fica embaçada e distorcida.

Durante o Junho Violeta, campanha dedicada à conscientização sobre o ceratocone, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce para evitar a progressão da doença.

Quais são os primeiros sinais do ceratocone?

Nos estágios iniciais, o ceratocone pode passar despercebido e ser confundido com problemas de visão mais comuns, como miopia ou astigmatismo.

Segundo Luís Gustavo de Imparato Rodrigues Ribeiro, diretor administrativo e responsável técnico do Instituto Brasileiro da Visão (IBV), alguns sinais merecem atenção.

“O histórico familiar positivo, o astigmatismo e a coceira frequente nos olhos são alguns dos principais sinais de alerta”, explica.

Outra característica comum é a necessidade de trocar constantemente o grau dos óculos. Além disso, muitos pacientes relatam visão borrada, sensibilidade à luz, dificuldade para enxergar à noite e halos ao redor de fontes luminosas.

Pessoa esfregando o olho com a mão, ilustrando o hábito de coçar os olhos que pode enfraquecer a córnea e agravar o ceratocone.
Foto: Magnific

Por que coçar os olhos pode ser perigoso?

Um dos principais fatores associados ao agravamento da doença é justamente um hábito bastante comum: coçar os olhos.

Pessoas que sofrem com rinite alérgica ou alergias oculares costumam apresentar mais coceira e, consequentemente, maior risco de evolução do ceratocone.

De acordo com o especialista, o ato repetitivo de esfregar os olhos contribui para o enfraquecimento da córnea e acelera as alterações na sua estrutura.

“O hábito de coçar os olhos contribui muito para a evolução da doença”, alerta Luís Gustavo.

Por esse motivo, médicos recomendam controlar alergias e procurar acompanhamento oftalmológico quando a coceira se torna frequente.

Jovens são os mais afetados pela doença

Embora possa atingir pessoas de diferentes idades, o ceratocone aparece com mais frequência entre os 10 e 25 anos. Além disso, a condição costuma afetar os dois olhos, embora nem sempre com a mesma intensidade.

O histórico familiar também merece atenção. Segundo o especialista, pessoas que possuem parentes diagnosticados apresentam risco aumentado de desenvolver a doença, o que torna as consultas oftalmológicas regulares ainda mais importantes durante a infância e adolescência.

Simulação de visão embaçada e distorcida com halos de luz, demonstrando como o ceratocone compromete a qualidade da percepção visual do paciente.
Foto: Magnific

Quais tratamentos existem para o ceratocone?

O tratamento varia conforme o estágio da doença. Nos casos iniciais, o controle das alergias, o uso de óculos e a adaptação de lentes de contato podem ajudar a melhorar a qualidade visual.

Quando há risco de progressão, uma das alternativas é o crosslinking corneano, procedimento que fortalece a córnea para impedir que a deformação continue avançando.

“Quando o ceratocone é diagnosticado precocemente, o crosslinking pode impedir a evolução do quadro e preservar a visão do paciente”, destaca o médico.

Em situações mais avançadas, o tratamento pode incluir o implante de anéis intracorneanos para melhorar a curvatura da córnea.

Já nos casos mais graves, quando ocorre afinamento importante ou cicatrizes na córnea, o transplante pode ser necessário.

“O transplante de córnea é indicado nos casos mais severos e continua sendo o tratamento definitivo e eficaz para esses pacientes”, afirma Luís Gustavo.

Diagnóstico precoce ajuda a preservar a visão

Embora não exista uma forma de prevenir o aparecimento do ceratocone, identificar a doença cedo faz toda a diferença.

O acompanhamento oftalmológico regular permite detectar alterações antes que elas comprometam de forma significativa a visão. Isso amplia as possibilidades de tratamento e reduz o risco de procedimentos mais complexos no futuro.

Por isso, especialistas recomendam atenção redobrada em crianças, adolescentes e pessoas que possuem histórico familiar da doença ou apresentam alergias oculares frequentes.


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Autor

  • Bruna Santos

    Jornalista e redatora com experiência em produção de conteúdo digital. Atuou em portais de notícia, rádio e agências, escrevendo para áreas como finanças, saúde, direito e bem-estar. Pós-graduada em Comunicação e Marketing, se especializou em produção de conteúdo informativo para sites.

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