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Caso rope jump: polícia indicia trio e apura desaparecimento de câmera

Primeiro inquérito foi concluído pela Polícia Civil, enquanto novas investigações apontam suposta ocultação de provas por integrantes do grupo responsável pelos saltos
Foto em dois quadros mostra três instrutores em roupas azuis e máscaras, realizando manobras e gestos de treino ao ar livre em uma área elevada, com paisagem rural ao fundo, no contexto do caso de Maria Eduarda.

A Polícia Civil concluiu o primeiro inquérito sobre a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, que caiu durante uma atividade de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira. Nesta segunda-feira (22), os investigadores indiciaram os três instrutores que aparecem nas imagens do salto por homicídio com dolo eventual. Além disso, um segundo inquérito apura a suposta ocultação de provas e levou à prisão de outros três integrantes do grupo responsável pela atividade.

Instrutores passam a responder por homicídio com dolo eventual

A Polícia Civil indiciou Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Maicon Fernandes Cintra, de 42, e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos.

Os três permanecem presos preventivamente no Centro de Detenção Provisória II de Guarulhos. Segundo os investigadores, eles assumiram o risco de produzir o resultado fatal, mesmo sem intenção direta de matar.

Além disso, vídeos gravados no dia da tragédia mostram os instrutores no momento em que Maria Eduarda é lançada da ponte sem a conexão da corda de segurança.

Por outro lado, as defesas de Luis Felipe e Maicon contestam o enquadramento adotado pela polícia. De acordo com o advogado Rafael Gomes dos Santos, o caso deveria ser tratado como homicídio culposo.

Da mesma forma, os advogados de Vitor informaram que ainda não tiveram acesso integral ao inquérito. Segundo a defesa, existem divergências técnicas sobre a caracterização do dolo eventual.

Nova investigação apura possível ocultação de provas

Enquanto isso, a Polícia Civil e o Ministério Público avançaram em uma segunda frente de investigação. As apurações resultaram nas prisões temporárias de Evelyne dos Santos Gonçalves, de 43 anos, Gabriel Barros Martins, de 30, e João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, de 35 anos.

Segundo os investigadores, os três estavam na Ponte do Esqueleto no dia do acidente. Além disso, eles podem ter participado da ocultação de elementos importantes para a apuração dos fatos.

Confira:

Imagem dividida mostra um rope jump com técnicos e equipamentos de segurança na plataforma e, ao fundo, a estrutura de altura durante investigação após caso morte em rope jump.
Imagem: reprodução

Câmera usada pela vítima continua desaparecida

De acordo com informações apresentadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público à Justiça, João Antônio estava na base da ponte durante o salto. Conforme a investigação, ele teria retirado a câmera GoPro que Maria Eduarda segurava no momento da queda.

Até agora, os investigadores não localizaram o equipamento. Por isso, a polícia considera a câmera uma peça fundamental para reconstruir os últimos instantes da atividade.

Uma testemunha afirmou ter visto a jovem com a câmera nas mãos logo após a queda. Em seguida, a mesma pessoa relatou ter observado um homem retirando o aparelho.

No entanto, durante o depoimento, João Antônio negou a acusação. Segundo ele, aproximou-se da vítima apenas para verificar os sinais vitais.

A defesa declarou que o investigado não participou da execução do salto. Além disso, afirmou que ele prestou socorro imediatamente e também tem interesse na localização da câmera.

Organizadora é investigada por exclusão de conteúdo digital

As investigações também apontam que Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada como responsável pelo grupo Entre Cordas, excluiu a conta do Instagram utilizada pela equipe logo após a morte de Maria Eduarda.

Para o Ministério Público, a remoção do perfil pode ter eliminado provas digitais relevantes para o esclarecimento do caso.

Em contrapartida, a defesa de Evelyne afirmou que ela colabora com as autoridades desde o início das investigações. Além disso, declarou confiar que a inocência da cliente será demonstrada ao longo do processo.

Já Gabriel Barros Martins é apontado como integrante da organização do evento. Conforme o Ministério Público, ele deixou o local logo após a tragédia e não se apresentou às autoridades até a decretação da prisão.

Por sua vez, a defesa informou que se manifestará apenas nos autos do processo.

Investigações continuam em Limeira

Os dois inquéritos seguem em andamento na Polícia Civil de Limeira. Agora, os investigadores aguardam novos depoimentos e a análise dos equipamentos eletrônicos apreendidos.

Dessa forma, a polícia busca esclarecer todas as circunstâncias da morte de Maria Eduarda e definir a responsabilidade de cada um dos seis investigados.

Confira:


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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