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El Niño 2026/2027 acende alerta para chuvas, secas e calor no Brasil

Especialistas apontam risco de eventos extremos e reforçam a importância da preparação antes da crise
El Niño 2026/2027 acende alerta para chuvas, secas e calor no Brasil

O El Niño 2026/2027 colocou defesas civis de todo o Brasil em alerta para os próximos meses. Nesta semana, Porto Alegre recebeu representantes nacionais e internacionais para discutir como cidades podem se preparar para chuvas intensas, secas, calor extremo e outros impactos ligados ao fenômeno climático.

O tema foi debatido durante o Congresso Internacional de Proteção e Defesa Civil e o 4º Encontro Nacional do ICLEI, realizados entre os dias 23 e 25 de junho, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre. A escolha do Rio Grande do Sul para sediar o encontro também carrega um peso simbólico, já que o estado enfrentou uma das maiores tragédias climáticas do país em 2024.

Segundo o INMET, as condições do El Niño já estão presentes no Oceano Pacífico Equatorial e devem se fortalecer nos próximos meses. A tendência aumenta a atenção de governos, Defesa Civil e especialistas para ações de prevenção.

O que é El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático provocado pelo aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança altera a circulação dos ventos e interfere no regime de chuvas e temperaturas em várias partes do mundo.

No Brasil, o El Niño costuma ter efeitos diferentes conforme a região. Em geral, pode favorecer chuvas mais intensas no Sul, reduzir precipitações no Norte e no Nordeste e ampliar períodos de calor em áreas do Centro-Oeste e do Sudeste.

Por isso, o acompanhamento do fenômeno é importante para orientar ações da Defesa Civil, alertas à população e medidas de prevenção em áreas mais vulneráveis.

El Niño 2026/2027 deve impactar diferentes regiões do Brasil

O El Niño 2026/2027 pode provocar efeitos diferentes pelo país. No Sul, a tendência é de chuvas acima da média, com risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos em algumas áreas.

Já no Norte e em parte do Nordeste, a preocupação maior envolve estiagens prolongadas, queda no volume de chuvas, insegurança hídrica e impactos na agricultura.

No Centro-Oeste, o calor extremo pode favorecer incêndios florestais. Já no Sudeste, o cenário pode misturar ondas de calor, estiagem e episódios de chuva forte.

Em entrevista à VTV, Rodrigo Perpétuo, diretor executivo do ICLEI América do Sul, afirmou que a preparação precisa começar antes da emergência.

“Estar preparado para o El Niño não elimina o risco, mas reduz o impacto, salva vidas e encurta o tempo de recuperação. A preparação começa antes da crise”, disse.

Como as cidades podem se preparar para o El Niño?

Para Rodrigo Perpétuo, a preparação contra eventos climáticos extremos depende de planejamento, gestão e capacidade de resposta. Entre as medidas mais importantes estão o reforço dos sistemas de alerta precoce, a revisão de estruturas críticas e a organização de abrigos.

Ele também cita a necessidade de verificar hospitais, vias de acesso, centros de operação, sistemas de monitoramento meteorológico e a comunicação com órgãos federais, como INPE, INMET e Cemaden.

Outro ponto é a gestão da água. Em regiões com risco de seca, os governos precisam planejar medidas emergenciais de abastecimento. Já em áreas com risco de chuva intensa, a limpeza de galerias, bocas de lobo e canais deve ocorrer com mais frequência.

“A Defesa Civil já deve identificar abrigos e ter uma possibilidade de atuação preditiva. Os protocolos para cada tipo de risco devem estar verificados”, afirmou.

El Niño pode afetar o estado de São Paulo?

No caso de São Paulo, os especialistas avaliam que o estado pode enfrentar mais de um tipo de impacto. A tendência inclui chuvas extremas em algumas áreas, com possibilidade de alagamentos, inundações e deslizamentos, especialmente em regiões vulneráveis.

“No estado de São Paulo, nós temos uma tendência à ocorrência de chuvas extremas. As consequências são possíveis alagamentos, inundações e, como vimos no litoral norte, também a ocorrência de deslizamentos”, explica Rodrigo.

Ao mesmo tempo, partes do interior paulista também podem sentir estiagens e ondas de calor. Segundo Rodrigo Perpétuo, o sudoeste e o norte do estado merecem atenção para esse tipo de cenário.

Ele ressalta que o risco aumenta quando o evento climático atinge áreas ocupadas pela população.

“O evento extremo só apresenta risco quando incide onde há população habitando. Pode ser que essas ocorrências aconteçam, mas não impliquem consequências diretas se forem em regiões não habitadas”, pontua.

Encontro em Porto Alegre reuniu especialistas e defesas civis

O congresso em Porto Alegre reuniu gestores públicos, representantes da Defesa Civil, organismos internacionais, universidades e especialistas em clima. A proposta foi trocar experiências e discutir formas de reduzir danos antes que os eventos extremos aconteçam.

A programação também teve como foco a construção de estratégias para tornar cidades mais preparadas. Entre os temas debatidos estiveram comunicação de risco, monitoramento, previsão de tempestades, educação, voluntariado e planos de resposta.

Para especialistas, o avanço do El Niño reforça uma mensagem prática: governos e população precisam agir antes da crise. Em um cenário de eventos climáticos mais frequentes e intensos, prevenção pode fazer diferença direta na proteção de vidas.

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Autor

  • Bruna Santos

    Jornalista e redatora com experiência em produção de conteúdo digital. Atuou em portais de notícia, rádio e agências, escrevendo para áreas como finanças, saúde, direito e bem-estar. Pós-graduada em Comunicação e Marketing, se especializou em produção de conteúdo informativo para sites.

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