Nesta segunda-feira (6/7), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação terapêutica para o medicamento Enhertu® (trastuzumabe deruxtecana). O fármaco já integra o arsenal contra o câncer de mama no país. Agora, médicos podem prescrevê-lo no tratamento auxiliar de pacientes adultos com câncer de mama HER2-positivo (IHC3+ ou ISH+) que mantêm doença invasiva residual após terapias anteriores.
Essa decisão marca um avanço fundamental para pacientes que não atingem a resposta patológica completa após cirurgias. Segundo estudos clínicos, o uso do Enhertu® combinado à quimioterapia com taxanos reduziu em 53% o risco de recorrência invasiva ou morte.
Como o medicamento atua no organismo
O Enhertu® funciona como um conjugado anticorpo–droga direcionado ao receptor HER2. O paciente recebe a medicação por via intravenosa. O composto combina um anticorpo monoclonal anti-HER2 a um potente agente citotóxico. Graças a esse mecanismo, o fármaco identifica e atinge as células tumorais de maneira seletiva.
O câncer de mama continua como a principal causa de morte por tumores entre mulheres brasileiras, com mais de 70 mil novos diagnósticos anuais. O subtipo HER2-positivo, identificado em até 19% dos casos, demonstra maior agressividade. Além disso, aproximadamente 25% das pacientes com doença residual pós-cirúrgica enfrentam a recidiva da enfermidade em até uma década.
Desafios no acesso ao diagnóstico e cuidado no Brasil
Apesar dos avanços tecnológicos nos tratamentos, um levantamento inédito do Instituto Ipsos, encomendado pela Novartis, revela desafios estruturais no país. A pesquisa ouviu 400 mulheres acima de 35 anos. Entre elas, 63% enfrentam barreiras na jornada de prevenção, principalmente pela demora no agendamento de consultas e exames.
No Sistema Único de Saúde (SUS), o cenário preocupa ainda mais: 77% das usuárias relatam dificuldades de acesso. Embora o Ministério da Saúde recomende o rastreamento a partir dos 40 anos, uma em cada três mulheres nessa faixa etária ainda não realiza a mamografia de forma regular.

A importância do acompanhamento pós-cirúrgico
O estudo também reforça a necessidade de um olhar atento ao período após a cirurgia. Para 63% das mulheres ouvidas, o acompanhamento contínuo é indispensável, visto que 35% delas temem o retorno da doença.
O mastologista Guilherme Novita, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), ressalta que a falta de acompanhamento eficiente compromete os desfechos clínicos a longo prazo. Consequentemente, Bianca Cormanich, diretora de Oncologia da Novartis Brasil, defende jornadas mais coordenadas. Segundo a especialista, o sistema de saúde deve oferecer menos interrupções e maior apoio constante às pacientes.