9 de julho passou a ser considerado feriado no estado de São Paulo a partir de 1997. A instituição da data ocorreu durante o governo de Mário Covas e faz referência à Revolução Constitucionalista de 1932, movimento liderado pelos paulistas em oposição ao governo provisório de Getúlio Vargas, com o objetivo de defender a criação de uma nova Constituição para o país.
A mobilização contra o governo ganhou ainda mais força após o episódio ocorrido em 23 de maio de 1932, quando quatro estudantes foram mortos durante uma manifestação em São Paulo. As vítimas, Mário Martins Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade, passaram a ser reconhecidas como símbolos da resistência constitucionalista. Em memória dos estudantes, surgiu o movimento MMDC, que representou a união dos paulistas na defesa de mudanças políticas e da elaboração de uma nova Constituição.
Em 1º de outubro de 1932, as tropas paulistas encerraram a resistência e se renderam ao governo federal, marcando o fim da Revolução Constitucionalista.
Apesar da derrota militar dos paulistas, as principais reivindicações foram atendidas nos anos seguintes. Em 1933, foi formada uma Assembleia Constituinte responsável pela elaboração de uma nova Constituição, enquanto o Congresso Nacional foi reaberto e a atuação política retomada. No mesmo período, Getúlio Vargas foi escolhido de forma indireta para continuar no poder, encerrando o governo provisório iniciado em 1930.
O número oficial de mortos é de 934 pessoas, embora algumas estimativas apontem para um total que pode chegar a cerca de 2.200 vítimas. Além das perdas humanas, diversas cidades do interior de São Paulo foram afetadas pelos confrontos e sofreram danos durante a guerra.
Como homenagem, a Assembleia Legislativa de São Paulo ganhou a sede em frente ao parque Ibirapuera e foi nomeado como Palácio 9 de Julho nos anos 60.
Antecedentes
A Revolução de 1930 levou Getúlio Vargas ao poder e deu início ao Governo Provisório. Nesse período, ele concentrou as decisões em suas mãos: anulou a Constituição de 1891, fechou o Congresso Nacional, proibiu a atuação dos partidos políticos e passou a governar sem depender da aprovação do Legislativo. Nos estados, os antigos governadores foram retirados dos cargos e substituídos por interventores escolhidos pelo próprio Vargas para administrar cada região.
Durante esse período, Getúlio Vargas concentrou o poder em suas mãos, o que gerou insatisfação até entre antigos apoiadores da Revolução de 1930. A demora na convocação de eleições, na formação de uma Assembleia Constituinte e na criação de uma nova Constituição, além da nomeação de interventores nos estados, aumentou as críticas ao governo.
