As nove cidades da Baixada Santista devem receber R$ 10,6 bilhões em obras de saneamento até 2029, pois, segundo o diretor-presidente da Sabesp, Carlos Piani, há uma “dívida histórica” da companhia com a região. A declaração foi feita durante visita à sede da VTV SBT, em Santos, no litoral de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (16), quando concedeu entrevista ao apresentador Victor Faccioli, no programa VTV da Gente, e também conversou com a equipe do VTV News sobre os principais investimentos previstos.
Durante a entrevista, Piani falou sobre os desafios para ampliar o abastecimento de água e a coleta de esgoto em uma região marcada por áreas de preservação ambiental, ocupações irregulares, crescimento populacional e aumento expressivo da população durante a temporada de verão. Segundo ele, o conjunto de obras em andamento foi planejado para atender a demanda da Baixada Santista até 2060.
Entre os temas abordados estiveram as reclamações recorrentes de falta d’água, as novas estações de tratamento e reservatórios, as intervenções em comunidades sobre palafitas, os transtornos provocados pelas obras e a parceria entre a companhia e a VTV na transmissão da Copa Sabesp de Futebol de Várzea. A seguir, confira os principais trechos da entrevista em formato de perguntas e respostas.
Solução de problemas históricos
Apesar do avanço das obras, episódios de desabastecimento ainda são registrados em diferentes municípios da Baixada Santista – no início deste ano, por exemplo, a falta d’água durante a temporada de verão levou a Frente Parlamentar da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) a discutir a situação da região, que recebe milhões de turistas nos meses mais quentes. Questionado sobre como a Sabesp explica esse cenário mesmo após os investimentos anunciados, Piani afirmou que a Baixada Santista apresenta algumas das condições mais complexas do estado para implantação de obras de saneamento.
“A Baixada Santista é uma das regiões mais desafiadoras do ponto de vista do saneamento. O solo é complexo para construção, existem áreas de ocupação informal consolidadas, áreas de proteção ambiental, manguezais e pouco espaço disponível. Durante o verão há um aumento muito grande da população flutuante, além dos períodos de estiagem. Esses investimentos levam um tempo para gerar resultados. É uma dívida histórica que o saneamento tem com a região e vamos trabalhar todos os dias para que cada dia seja melhor do que o anterior”.
Entre as principais obras citadas pelo presidente está o Centro de Reservação Mambu-Branco, além da construção de três estações de tratamento de água, seis estações de tratamento de esgoto, cerca de 370 quilômetros de adutoras de água e quase 700 quilômetros de redes coletoras de esgoto.

Planejamento até 2060
Outro tema abordado foi o crescimento da população fixa da Baixada Santista e a capacidade das novas estruturas suportarem a demanda nas próximas décadas. Piani afirmou que empreendimentos como o Centro de Reservação Mambu-Branco, capaz de armazenar 40 milhões de litros de água, e a nova adutora Santos-Guarujá, com capacidade para transferir até 500 litros por segundo, fazem parte de um planejamento de longo prazo.
“Nós fizemos um planejamento para a região até 2060, considerando o crescimento populacional e toda a dinâmica da Baixada Santista. Acreditamos que os investimentos que estão sendo feitos resolverão, de forma definitiva, esses problemas históricos”.
Segundo ele, embora as obras demandem tempo para serem concluídas, a expectativa é que problemas recorrentes de abastecimento deixem de fazer parte da realidade da região nos próximos anos.
Tratamento dimensionado
Durante a entrevista, o diretor-presidente também comentou sobre a Estação de Tratamento de Água (ETA) Melvi, em Praia Grande, uma das maiores obras anunciadas pela companhia na Baixada Santista. A estação foi projetada para ampliar a produção de água tratada e beneficiar aproximadamente 650 mil pessoas. Segundo Piani, o empreendimento já foi planejado considerando o crescimento populacional esperado para as próximas décadas.
“Esse investimento já considera o crescimento esperado da população. Uma obra feita em uma cidade não atende necessariamente apenas aquele município. Os reservatórios da região de Itanhaém, por exemplo, vão atender toda a região sul, desde Peruíbe até a área continental de São Vicente. Santos é abastecida pela estação de tratamento de água de Cubatão. Essa flexibilidade torna o sistema mais robusto”.

Obras geram ‘transtornos temporários’
Com mais de uma centena de frentes de trabalho abertas simultaneamente na Baixada Santista, moradores e comerciantes também enfrentam impactos provocados pelas intervenções. Questionado sobre como a Sabesp equilibra a necessidade das obras com os transtornos causados à população, Piani reconheceu os incômodos e pediu compreensão aos moradores.
“Sabemos dos transtornos, mas acreditamos que eles são passageiros. Vamos trabalhar duro para minimizar esses impactos da melhor forma possível. Precisamos correr para pagar essa dívida histórica. Vamos deixar um legado de infraestrutura para várias gerações”.
Modelo pode ser replicado
Outro destaque da conversa foi a obra realizada no Dique da Vila Gilda, em Santos, considerada pela Sabesp uma solução inédita para comunidades sobre palafitas. No local, a companhia está implantando uma rede coletora suspensa, adaptada às variações do nível da maré, além de levar abastecimento de água para milhares de moradores que nunca tiveram acesso ao serviço. Segundo Piani, a iniciativa poderá servir de referência para outras comunidades da Baixada Santista.
“É uma solução de engenharia diferenciada que a Sabesp desenvolveu. Temos interesse e capacidade de replicá-la em outras regiões, inclusive em São Vicente”.
Ele destacou, porém, que novas intervenções dependem da autorização dos municípios.

Universalização
Ao falar sobre o legado que espera deixar até o fim do atual ciclo de investimentos, previsto para 2029, Piani afirmou que o principal objetivo é garantir dignidade às comunidades que ainda não possuem acesso aos serviços básicos.
“Que as comunidades mais humildes, que hoje não têm acesso, passem a ter água potável. Que tenham mais saúde, valorização dos seus imóveis e dignidade. Espero que o saneamento deixe de ser um tema de preocupação para a região e passe a ser visto como algo normal. Apesar de estarmos no século XXI, ainda estamos falando de um serviço que deveria ter sido universalizado no século XIX”.

VTV transmitiu a final da Copa Sabesp de Várzea
Além dos investimentos em saneamento, Piani comentou a parceria entre a Sabesp e a VTV na transmissão da final da Copa Sabesp de Futebol de Várzea, realizada em junho. A emissora exibiu a decisão ao vivo para a televisão e plataformas digitais diretamente da Arena Nacional Atlético Clube, na Capital.
Na decisão, o Dale Capela venceu o Tiradentes e conquistou o título da competição, que distribuiu R$ 75 mil ao campeão. Ao comentar o resultado, o diretor-presidente brincou que a parceria “deu sorte” e destacou o interesse da companhia em apoiar iniciativas culturais e esportivas nas comunidades onde atua.
“O futebol faz parte da nossa cultura. Ficamos muito felizes que o time da região tenha conquistado o título. Então, parabéns a todos”.
Veja fotos da visita de Carlos Piani à sede da VTV SBT:



Fotos: arquivo VTV