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Impasse leva Mariana Conti a pedir intervenção da Justiça no caso Vini Oliveira

Vereadora solicita que Comissão Processante busque as imagens diretamente com a Justiça, empresa Smile e emissora de TV após Ministério Público negar compartilhamento
Sessão em plenário com Mariana Conti ao microfone, em audiência, levantando a mão para se manifestar; ao fundo, outra pessoa em painel, tema do caso Vini Oliveira.

A vereadora Mariana Conti (PSOL), autora do pedido que resultou na abertura da Comissão Processante (CP) para apurar possíveis irregularidades atribuídas ao vereador Vini Oliveira (Cidadania), solicitou que o colegiado busque diretamente na Justiça o acesso às imagens consideradas essenciais para a investigação. O pedido foi protocolado nesta quarta-feira (15), após o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), negar o compartilhamento do material por causa do sigilo da investigação.

Pedido busca garantir andamento da Comissão

Na manifestação encaminhada à Comissão Processante, Mariana Conti argumenta que o prazo legal de 90 dias para conclusão dos trabalhos torna urgente a adoção de novas medidas para obtenção das provas. Segundo ela, a investigação criminal e o processo político-administrativo possuem finalidades distintas e não podem ficar condicionados ao encerramento do inquérito conduzido pelo Ministério Público.

Por isso, a parlamentar pede que a Comissão solicite diretamente ao Juízo Criminal competente o levantamento parcial do sigilo ou o compartilhamento das provas relacionadas ao caso, inclusive com tramitação reservada, caso o magistrado considere necessário. Ela também requer que, se ainda não houver informações suficientes, o Gaeco informe o número do processo e o juízo responsável para viabilizar o pedido judicial.

Ofícios à empresa Smile e à emissora

Além do pedido à Justiça, Mariana Conti solicitou que a Comissão envie ofícios diretamente à empresa Smile, onde ocorreram os fatos investigados, e à emissora de televisão que divulgou as imagens.

No documento, a vereadora pede que a empresa preserve e encaminhe todas as gravações internas e externas do dia da reunião, incluindo registros da entrada, recepção, estacionamento, corredores, sala de reunião e demais ambientes monitorados. Ela solicita ainda que os arquivos sejam entregues em formato original, sem cortes, filtros ou qualquer tipo de edição, acompanhados dos metadados e informações técnicas disponíveis.

Em relação à emissora, o pedido inclui o envio da íntegra do material audiovisual, com gravações brutas, trechos exibidos e não exibidos e arquivos recebidos de terceiros, também sem qualquer edição ou alteração de áudio e imagem. Segundo a manifestação, o objetivo é permitir que a Comissão tenha acesso ao contexto completo dos fatos.

Gaeco negou compartilhamento das provas

O novo pedido foi apresentado após o Gaeco informar que não poderia fornecer o vídeo completo em que Vini Oliveira aparece deixando a empresa com um malote, por causa do sigilo absoluto da investigação.

Segundo o promotor de Justiça Rafael Saldezas Arbach, as provas não podem ser compartilhadas neste momento, mas deverão ser encaminhadas à Câmara quando a investigação for concluída.

Mariana Conti afirmou respeitar a decisão do Ministério Público, porém argumentou que a restrição dificulta a transparência dos trabalhos da Comissão Processante.

“Esperamos que o nosso pedido seja deferido, pois não iremos descansar até que a população de Campinas tenha integral conhecimento acerca desses fatos, e que a Comissão Processante possa exercer sua função de julgamento”, declarou a vereadora.

Comissão mantém cronograma

Enquanto avalia os novos requerimentos, a Comissão Processante informou que irá deliberar sobre outras medidas para obtenção das imagens.

Por enquanto, permanecem mantidas as oitivas marcadas para os dias 3 e 4 de agosto. No primeiro dia serão ouvidas as testemunhas indicadas por Mariana Conti; no segundo, as testemunhas da defesa e o vereador Vini Oliveira.

A CP é composta pelos vereadores Paulo Haddad (PSD), presidente; Otto Alejandro (PL), relator; e Dr. Yanko (PP).


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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