Indicação visual de conteúdo ao vivo no site
Indicação visual de conteúdo ao vivo

Aluno processa PUC-Campinas após sofrer discriminação racial no campus

Aluno relata que foi abordado por seguranças dentro do campus e afirma que o episódio mudou sua relação com a universidade.
Aluno em frente ao espelho com óculos e mochila, ao lado de vista do campus da PUC-Campinas à noite; contexto de racismo na PUC-Campinas e processo após discriminação racial.

Um estudante do terceiro ano de Relações Públicas da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) denunciou à Justiça um episódio de discriminação racial que, segundo seu relato, ocorreu dentro da instituição. Gabriel Domiciano afirmou ter sido abordado por seguranças da universidade enquanto se dirigia para uma aula, no ano passado.

O episódio começou logo na entrada da universidade, quando percebeu que estava sendo acompanhado por seguranças da instituição. Inicialmente, ficou em dúvida sobre o acompanhamento ou se era apenas uma impressão, já que afirmou nunca ter passado por uma experiência semelhante anteriormente.

“Foi quando veio a viatura da PUC também atrás de mim. Na entrada do prédio onde tenho aula, eles me abordaram de uma forma que considerei bastante truculenta, querendo saber o que eu estava fazendo ali. Eu não entendia aquela pergunta, porque eles não perguntaram meu nome, não solicitaram meu registro acadêmico e nem questionaram se eu estudava na instituição. Apenas perguntaram o que eu estava fazendo naquele local”, relatou Domiciano.

Após a abordagem, o estudante afirmou que questionou o motivo da pergunta feita pelos seguranças e sugeriu que eles consultassem seu professor caso houvesse dúvidas sobre sua presença na universidade. Segundo ele, a resposta teria sido uma tentativa de demonstrar que era estudante da instituição e encerrar a situação.

Na sequência, Gabriel relatou que os seguranças informaram que iriam acompanhá-lo até a sala de aula. De acordo com o estudante, dois guardas o escoltaram até o terceiro andar do prédio onde tinha aula, passando pelos corredores diante de outras pessoas, o que teria causado constrangimento.

Ao chegar à sala de aula, o aluno de relações públicas contou que o professor questionou a presença dos dois seguranças que o acompanhavam. Conforme relato de Domiciano, os funcionários disseram que estavam verificando se ele era aluno da instituição. Após a confirmação feita pelo professor, os seguranças encerraram a abordagem e informaram que se tratava de um procedimento padrão.

Desdobramentos

O caso foi levado pelo estudante à universidade, que foi procurada para que fossem informadas as circunstâncias do ocorrido e as possíveis medidas a serem adotadas. Entre as expectativas apresentadas por ele estavam orientações aos seguranças envolvidos e um pedido de desculpas. Na sequência, foi realizada uma conversa para discutir a situação.

Gabriel relatou que participou de reuniões nas quais se sentiu desestimulado a dar continuidade ao processo de discriminação racial. Ele afirmou ainda que representantes da instituição destacaram o compromisso da universidade com ações antirracista.

“Eu acho que muito do que senti quando tudo isso aconteceu foi exatamente isso: que eu não pertencia àquele lugar, que eu não deveria estar ali. Mesmo trabalhando para pagar a mensalidade e sendo, modéstia à parte, um excelente aluno no sentido de me dedicar e me entregar, essa foi uma sensação muito forte. Acho que é isso que acaba mexendo muito com a gente quando passa por uma situação como essa”, relatou.

Procurada para se manifestar sobre o caso, a PUC-Campinas informou que foi notificada sobre as determinações previstas na portaria e que cumprirá os prazos estabelecidos para as ações previstas no documento.

Em relação aos impactos após o episódio, o aluno relatou que a experiência também afetou sua relação com a universidade. Segundo o estudante, ele passou a sentir medo de retornar à instituição e de ser novamente abordado pelos seguranças na entrada. No semestre seguinte, chegou a trancar a faculdade e, inicialmente, não pretendia voltar ao curso. Após conversas com sua psicóloga e o apoio de amigos e pessoas próximas, decidiu retomar os estudos.

Neste ano, ao retornar ao curso para concluir a graduação, Gabriel escolheu como tema de seu trabalho de conclusão de curso a gestão de crises em casos de racismo.

“Eu não gostaria de tornar essa cicatriz algo me marcasse. Essa denuncia é um grito mesmo, de tristeza por um direito e uma garantia que eu não tive. E muitos outros tantos também não tem!”, falou.

Ajuda

Diante do ocorrido, Gabriel utilizou suas redes sociais, no ano passado, para relatar o episódio. A publicação recebeu manifestações de apoio de colegas e amigos, que também passaram a cobrar um posicionamento da PUC-Campinas sobre o caso.

Entre as reações à publicação, um dos comentários questionou a abordagem relatada pelo estudante e afirmou nunca ter presenciado um procedimento semelhante na instituição. A mensagem também orientava Gabriel a procurar os canais internos da universidade e a buscar as medidas legais cabíveis.

Outra manifestação veio de uma pessoa que afirmou estudar na mesma turma de Gabriel e disse ter presenciado o momento em que ele foi acompanhado até a sala de aula. No comentário, relatou que a situação causou constrangimento diante dos colegas e questionou os critérios utilizados para a abordagem, além de declarar apoio ao estudante.

Procurado para se manifestar sobre o caso, o Ministério Público informou que há um inquérito civil em andamento para apurar a denúncia de discriminação racial. Segundo o órgão, não há novas informações sobre o assunto no momento.


Continua após a publicidade

Autor

  • Cristiane Campari

    Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, com atuação destacada como trainee no Estadão, onde participou da 2ª edição do Focas Saúde. Também integrou a equipe da TV Câmara Campinas, contribuindo na cobertura institucional e na produção de conteúdo. Experiência na Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Campinas e no Consórcio PCJ.

VEJA TAMBÉM

Homem com uniforme da Força Patrulhada da Polícia Militar, com o emblema “Força a Patrulha” e “Polícia Militar”, ao fundo há agentes em patrulhamento; Sumaré reduz criminalidade e registra queda nos índices de violência em SP.

Sumaré reduz criminalidade e registra queda nos índices de violência em SP

Vacinação para crianças e estudantes: profissional de enfermagem aplica injeção no braço de uma pessoa, em campanha de atualização de vacinas em escolas de Campinas.

Escolas de Campinas recebem campanha para atualizar vacinas de estudantes

Crianças em visita a trilha na natureza, com placa informativa sobre arborização; texto indica abertura de visitas gratuitas da Mata de Santa Genebra para escolas em Campinas.

Mata de Santa Genebra abre visitas gratuitas para escolas em Campinas

Céu nublado e escurecido em Campinas, com palmeiras e prédios ao fundo, indicando alerta para tempestades e rajadas de vento nesta quinta (30). Alerta Defesa Civil Campinas

Campinas entra em alerta para tempestades e rajadas de vento nesta quinta (30)

Gostaria de receber as informações da região no seu e-mail?

Preencha seus dados para receber toda sexta-feira de manhã o resumo de notícias.