Após quatro casos serem confirmados neste ano, a febre do Nilo Ocidental está chamando a atenção das autoridades de saúde no Brasil. Dois foram registrados em São Paulo, nas cidades de Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, e outros dois em Santa Catarina. Uma paciente de 77 anos morreu após apresentar manifestações neurológicas, segundo informações do Ministério da Saúde e das autoridades estaduais.
A doença é causada pelo vírus do Nilo Ocidental, transmitido principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex, conhecido popularmente como pernilongo. O vírus circula naturalmente entre mosquitos e aves silvestres. Os seres humanos são considerados hospedeiros acidentais e terminais.
Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 20% das pessoas infectadas apresentam sintomas. Na maioria dos casos, porém, a infecção não provoca manifestações. Entre os sintomas que podem aparecer estão:
- Febre
- Dor de cabeça
- Dores no corpo
- Dor nas articulações
- Dor atrás dos olhos
- Vermelhidão na pele
A infecção também pode provocar alterações oculares, embora sejam consideradas raras. Uma delas é a coriorretinite multifocal, uma inflamação que pode atingir a retina e a coroide, principalmente em pacientes que também apresentam manifestações neurológicas.
Segundo o oftalmologista Rodrigo Jorge, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, pacientes com sintomas como confusão mental, rigidez de nuca, fraqueza e alterações na visão devem procurar avaliação médica. Os sintomas podem ser confundidos com os de outras arboviroses, como a dengue.
Quando a febre do Nilo Ocidental pode ser grave?
Uma parcela menor dos pacientes pode desenvolver a chamada forma neuroinvasiva da doença, quando o vírus atinge o sistema nervoso central. Nesses casos, podem ocorrer manifestações como meningite e encefalite, que podem levar à morte. O risco é maior entre idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido.
Segundo o virologista Benedito Antônio Lopes da Fonseca, professor da Faculdade de Medicina (FMRP) da Universidade de São Paulo, a doença pode apresentar quadros graves principalmente nesses grupos.
“Ela pode causar uma doença grave, principalmente com acometimento do sistema nervoso central, em pacientes com deficiências da imunidade, em pacientes idosos, principalmente ali acima dos 60, 70 anos”,
disse.
De acordo com a USP, menos de 1% das pessoas infectadas desenvolvem manifestações neurológicas. Apesar de pouco frequentes, essas formas da doença estão associadas a um maior risco de complicações e morte.

Há motivo para preocupação?
Não existe tratamento antiviral específico nem vacina contra a febre do Nilo Ocidental disponível para humanos. Nos casos leves, o tratamento é voltado para os sintomas. Nas formas graves, pode ser necessária internação e, em algumas situações, atendimento em unidade de terapia intensiva.
Apesar dos casos registrados no país, o virologista Benedito Antônio Lopes da Fonseca, também ouvido pela USP, afirma que não há motivo para alarme neste momento. Segundo ele, um sinal de maior preocupação seria a identificação de uma circulação intensa do vírus entre aves e equídeos.
“Se começar a ter uma mortalidade muito grande de aves ou de cavalos, aí sim é um sinal de que o vírus está circulando bastante e que a gente precisa ficar mais atento”.
As principais medidas de prevenção são o uso de repelente, telas em portas e janelas e cuidados para evitar água parada. Também é recomendado não manusear animais mortos.
*Com informações divulgadas pela Universidade de São Paulo (USP)




