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Daniella Perez faria 56 anos hoje; entenda o crime que mudou a lei no Brasil

Crime contra a atriz, morta aos 22 anos, mobilizou Glória Perez e levou à inclusão do homicídio qualificado na legislação

A atriz e bailarina Daniella Perez completaria 56 anos nesta terça-feira (11). Morta aos 22 anos, em dezembro de 1992, ela foi assassinada pelo ator Guilherme de Pádua e por Paula Nogueira Thomaz, então esposa dele. A repercussão do caso mobilizou a mãe da atriz, a autora Glória Perez, e contribuiu para uma mudança na Lei de Crimes Hediondos, que passou a incluir o homicídio qualificado entre os crimes classificados dessa forma.

Daniella foi morta após deixar gravações

Daniella Perez fazia parte do elenco da novela “De Corpo e Alma”, escrita por Glória Perez, e contracenava com Guilherme de Pádua, que interpretava seu par romântico na trama.

Em 28 de dezembro de 1992, após deixar as gravações da novela, a atriz foi abordada por Guilherme. Segundo as investigações, ele a levou para outro local com a participação de Paula Thomaz.

O corpo de Daniella foi encontrado em uma área de mata na região da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Durante a investigação, uma testemunha anotou a placa do veículo utilizado no crime. A informação ajudou a polícia a chegar aos envolvidos. Guilherme posteriormente confessou a participação no assassinato.

Caso mobilizou campanha por mudança na lei

Após a morte da filha, Glória Perez iniciou uma mobilização para alterar a legislação brasileira. Na época, a Lei de Crimes Hediondos abrangia crimes como sequestro, estupro e latrocínio, mas ainda não incluía o homicídio.

Em 1993, a autora organizou um abaixo-assinado para pedir que o homicídio qualificado passasse a integrar a lista de crimes hediondos. A campanha reuniu cerca de 1,3 milhão de assinaturas em três meses.

Glória entregou o documento ao Congresso Nacional em outubro daquele ano. A proposta acabou incorporada a um projeto que já tramitava na Câmara dos Deputados.

O CASO DANIELLA PEREZ
22 anos
Idade da atriz quando foi assassinada
28 de dezembro de 1992
Data do crime
2 envolvidos
Guilherme de Pádua e Paula Thomaz foram condenados pelo assassinato
1997
Ano das condenações

Homicídio qualificado entrou na Lei de Crimes Hediondos

A mudança ocorreu em 1994. O Congresso aprovou a ampliação da legislação e incluiu o homicídio qualificado entre os crimes hediondos. A alteração foi sancionada pelo então presidente Itamar Franco.

A medida alcançava situações em que o homicídio apresenta circunstâncias consideradas especialmente graves, como motivo torpe ou fútil, emboscada ou uso de meios que dificultem a defesa da vítima.

A mudança não alterou a condenação de Guilherme de Pádua e Paula Thomaz, porque uma nova lei não pode retroagir para prejudicar pessoas que cometeram crimes antes de sua entrada em vigor.

Ao longo dos anos, a Lei de Crimes Hediondos recebeu novas alterações e passou a abranger outros crimes.

LINHA DO TEMPO DO CASO
1992
Assassinato de Daniella Perez
1993
Glória Perez inicia campanha pela mudança da lei
1993
1,3 milhão de assinaturas são reunidas
1994
Marco Legislativo
Congresso aprova a ampliação da Lei de Crimes Hediondos
1997
Guilherme de Pádua e Paula Thomaz são condenados
2022
Caso ganha a série documental Pacto Brutal
2026
Daniella faria 56 anos

Guilherme e Paula foram condenados

Em 1997, Guilherme de Pádua recebeu pena de 19 anos de prisão pelo assassinato de Daniella. Paula Thomaz foi condenada a 18 anos e seis meses.

Guilherme deixou a prisão em 1999, após cumprir seis anos e nove meses. Ele morreu em 2022, após sofrer um infarto.

Glória Perez relembra a filha

Nesta terça-feira (11), data em que Daniella completaria 56 anos, Glória Perez publicou uma homenagem à filha nas redes sociais.

A autora compartilhou fotografias de Daniella ainda criança e também mostrou o registro das impressões plantares da filha feito após o nascimento.

Daniella nasceu em 11 de agosto de 1970 e construiu carreira como atriz e bailarina antes de ser assassinada aos 22 anos.

Caso ganhou documentário

Em 2022, o caso voltou a ser apresentado ao público por meio da série documental “Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez”, lançada pela HBO Max.

A produção reúne depoimentos de Glória Perez, do viúvo de Daniella, Raul Gazolla, e de artistas que conviveram com a atriz. A série também apresenta documentos, relatos e informações sobre a investigação e o julgamento.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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