Pessoas que já doam sangue regularmente poderão continuar contribuindo mesmo após os 70 anos, conforme as novas normas técnicas para os serviços de hemoterapia no país, que entram em vigor em outubro. A atualização elimina a idade máxima para doadores habituais, desde que estejam em boas condições de saúde, sejam considerados aptos na avaliação médica e respeitem os intervalos estabelecidos entre as doações.
Além de ampliar a possibilidade de doação para pessoas acima dos 70 anos, a nova regulamentação também atualiza os critérios para a doação voluntária de sangue, reforça os mecanismos de controle e acompanhamento das transfusões e incorpora aos serviços de hemoterapia avanços nas tecnologias e práticas laboratoriais.
A mudança ocorre em um cenário de aumento nas doações. Segundo dados do governo federal, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 3.264.138 coletas de sangue em 2025, o equivalente a 15,29 doações por mil habitantes, a maior taxa registrada desde o período da pandemia.
As novas regras também modificam o prazo de armazenamento de alguns componentes do sangue. No caso das plaquetas, o período poderá passar de cinco para até sete dias, desde que os serviços de hemoterapia cumpram os requisitos de controle de qualidade.
A ampliação do prazo pode reduzir o descarte de bolsas e aumentar a disponibilidade de plaquetas, utilizadas principalmente por pacientes com câncer, pessoas em tratamento quimioterápico, pacientes com doenças hematológicas e outros casos que necessitam de transfusões frequentes.
Redução de prazo
A nova regra reduz o período de espera para pessoas que tiveram a doação de sangue temporariamente suspensa. Em alguns casos, como após a realização de endoscopia ou o uso de anabolizantes sem orientação médica, o intervalo necessário para voltar a doar passa de seis para quatro meses.
A mudança também altera o prazo para quem realiza procedimentos estéticos. Após fazer tatuagem, maquiagem definitiva, botox, preenchimento ou microagulhamento, a pessoa poderá doar sangue depois de sete dias, desde que o procedimento tenha sido realizado em um estabelecimento que siga as normas de segurança e higiene.
Triagem
O Brasil passa a ser o primeiro país do mundo a exigir a testagem para malária em todas as triagens de sangue. Com a mudança, além de HIV e das hepatites B e C, os exames também passam a identificar o parasita responsável pela doença.
A medida também reduz o tempo de espera para quem esteve em locais onde há transmissão de malária. Pessoas que viajaram para municípios de áreas endêmicas ou tiveram contato com regiões de mata, bosque ou floresta poderão voltar a doar após 30 dias. Antes, a restrição podia durar até 12 meses.
O que precisa para doar?
Para doar, é necessário:
- estar em boas condições de saúde;
- Pesar pelo menos 50 quilos;
- Estar descansado e alimentado;
- Apresentar documento oficial com foto, que também poderá ser apresentado em formato digital;
- Adolescentes a partir de 16 anos podem se candidatar, desde que tenham autorização do responsável.
