A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está investigando 13 casos suspeitos de uma doença grave no olho que pode levar à cegueira definitiva. Os problemas foram registrados em pacientes que utilizavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1/GIP.
A complicação em análise é a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia). Essa condição funciona como um “infarto” no nervo óptico, a estrutura responsável por conectar o olho ao cérebro.
Quando os pequenos vasos que irrigam a região entopem, as células nervosas morrem e a pessoa perde a visão de um dos olhos de forma repentina — um quadro que, na maioria das vezes, não tem cura.
Notificações no Brasil
As 13 suspeitas associadas às canetas emagrecedoras fazem parte de um levantamento mais amplo.
Desde 2018, o painel de farmacovigilância da Anvisa acumulou 24 registros de neuropatia óptica isquêmica no país. As demais notificações envolvem tratamentos variados, incluindo imunomoduladores, remédios contra o câncer, outros antidiabéticos e medicamentos de uso ocular.
Além disso, no sistema brasileiro de notificação (VigiMed), a agência já contabiliza 52 registros de suspeitas de distúrbios nos olhos de forma geral ligados à semaglutida.
Alerta e mudança na bula
Em junho de 2025, a Anvisa já havia emitido um alerta sobre esse efeito colateral e exigido que as fabricantes incluam a Noia (ou Noiana) na bula dos remédios que contêm a substância semaglutida.
Sendo elas comercializada sob os nomes Ozempic, Rybelsus e Wegovy. A reação foi classificada pela agência como “muito rara”.
“Trata-se de uma condição que pode ser irreversível e que exige atenção imediata. Os profissionais devem alertar seus pacientes sobre este risco, mesmo que raro, e orientá-los sobre os sinais de alerta. Os pacientes que tiverem sintomas como perda repentina de visão, visão turva ou piora rápida da visão durante o tratamento com semaglutida devem procurar atendimento médico imediatamente. Caso a Noia seja confirmada, o tratamento com semaglutida deve ser interrompido”, informou a Anvisa no alerta oficial.




