Uma nova ferramenta em desenvolvimento pode agilizar o fornecimento de alimentos, água, produtos de limpeza, materiais de manutenção e peças de reposição para navios nos portos brasileiros. O Suprinave prevê a criação de um módulo específico no sistema Porto Sem Papel para permitir que os próprios fornecedores realizem o credenciamento necessário para acessar as embarcações.
A proposta foi apresentada durante uma mesa-redonda realizada no Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), com a participação de representantes do governo e do setor portuário. O sistema foi desenvolvido pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), a partir de uma demanda relacionada à modernização da atividade.
Atualmente, os fornecedores dependem dos agentes marítimos para cadastrar os veículos e os profissionais que precisam entrar nos portos. Na avaliação do diretor-presidente do IBI, Mário Povia, essa intermediação cria uma etapa adicional em uma operação que é contratada diretamente pelos armadores.
“Essa ferramenta ela vem para corrigir hoje uma distorção. Nós não temos, eh, o sistema do Porto sem Papel liberado para o para os fornecedores de navios, né? Eles são obrigados a a triangular com uma agência de navegação, uma agência agente de carga para obter esse acesso ao sistema Porto sem Papel”, afirmou Mário Povia.

Segundo o diretor-presidente, a dependência dos agentes marítimos aumenta a burocracia e pode gerar custos adicionais. Com o novo módulo, o fornecedor poderá informar diretamente no sistema o veículo que será utilizado e identificar os profissionais que terão acesso às embarcações.
Espera pode chegar a seis horas
Para os fornecedores, a mudança pode resolver um problema enfrentado há vários anos. O presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira dos Fornecedores a Navios, Geraldo Pierotti, explicou que a atividade funciona durante as 24 horas do dia, mas a autorização nem sempre é concedida no momento em que o serviço precisa ser realizado.
De acordo com Pierotti, dependendo do horário da solicitação, a espera pela liberação pode chegar a quatro, cinco ou até seis horas. Em algumas situações, o veículo chega ao cais com os produtos, mas não consegue entrar por falta da autorização que deveria ter sido solicitada pela agência marítima.
“Às vezes a gente pede isso de madrugada, pede fora do horário de expediente normal e as necessidades são 24 horas por dia. Então, muitas vezes a gente chega no cais com a mercadoria e não consegue entrar porque não tem a autorização que teria que ter sido requerida pela agência, requerida pela agência e e e a gente acaba não atendendo, acaba atrasando, são prejuízos para todos”, relatou.

O atraso pode provocar a perda do fornecimento, impedir que o navio receba um produto necessário ou aumentar o tempo de permanência da embarcação no cais. Pierotti ressaltou que o problema não está na atuação dos agentes marítimos, mas no modelo atual, que atribui a eles uma responsabilidade sobre uma operação contratada diretamente entre os fornecedores e os armadores.
Mais agilidade e segurança
Quando estiver em pleno funcionamento, o Suprinave permitirá que os fornecedores façam o próprio credenciamento e gerem o acesso necessário para entrar nos portos. A expectativa é reduzir etapas, ampliar o controle das informações e dar mais previsibilidade à operação das embarcações.
Para o secretário Nacional de Portos do Ministério de Portos e Aeroportos, Alex Ávila, a digitalização acompanha o processo de modernização da atividade portuária, que deixou de ser baseada em operações totalmente manuais e passou a utilizar sistemas, tecnologias e equipamentos modernos.
“Então, isso gera eh eh naturalmente mais eficiência, mais agilidade, o prestador de serviço pode dar muito mais qualidade para o seu serviço, a embarcação pode se programar de forma mais adequada e isso, com toda a certeza, tem reflexo no dia a dia, principalmente da logística da embarcação”, explicou o secretário.

Além da implantação do sistema, representantes do setor e do poder público discutiram uma proposta de portaria para regulamentar o procedimento enquanto a atividade não é formalmente reconhecida por uma legislação específica.
Segundo Mário Povia, o IBI e a Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos atuam na articulação entre os fornecedores, o Ministério de Portos e Aeroportos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e o Serpro. A construção do Suprinave atende a uma demanda antiga do setor e busca tornar mais direto, seguro e eficiente o acesso dos fornecedores aos portos.