A Polícia Federal investiga um possível desvio de recursos públicos de emendas parlamentares destinados à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesta quinta-feira (10), agentes cumpriram um mandado de busca no endereço do deputado federal Mario Frias (PL-SP), em Brasília, e apreenderam sete armas de fogo do parlamentar.
A decisão judicial também impôs medidas cautelares a 29 investigados. Entre elas está a proibição de deixar o país. Mario Frias está entre os alvos da medida e não pode sair do Brasil.
Investigação apura destino de recursos públicos
A operação Make Up integra a investigação da Polícia Federal sobre o possível direcionamento irregular de recursos públicos para empresas ligadas à produção audiovisual.
Além de Mario Frias, os investigadores também miraram Karina Gama, responsável pelo Instituto Conhecer Brasil e ligada à produção do filme.
Ao todo, a Polícia Federal cumpre 49 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As equipes atuam, portanto, em endereços de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
Segundo a investigação, agentes públicos e particulares teriam formado uma organização para direcionar valores recebidos a empresas subcontratadas. Os investigadores suspeitam que essas empresas tenham recebido recursos sem comprovar a execução dos serviços contratados.
Além disso, levantamentos financeiros identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas relacionadas ao caso.
Por isso, a Polícia Federal apura possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em processos licitatórios.

Emendas de Mario Frias entraram na investigação
A apuração também analisa recursos destinados ao Instituto Conhecer Brasil por meio de emendas parlamentares. Entre os valores investigados estão R$ 2 milhões que Mario Frias destinou ao instituto por meio de emendas.
O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal após uma representação da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Na ocasião, a parlamentar apresentou à Corte suspeitas relacionadas à destinação dos recursos.
Posteriormente, em agosto, o ministro Flávio Dino autorizou a Polícia Federal a consultar informações de uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo contra a produtora audiovisual Go Up Entertainment.
A empresa participou das gravações da cinebiografia de Bolsonaro. Ao mesmo tempo, a Polícia Civil paulista investigava contratos firmados entre a produtora e a Prefeitura de São Paulo.
Filme sobre Bolsonaro também entrou no radar
O projeto “Dark Horse” ganhou destaque após a divulgação de uma conversa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo informações publicadas pelo site The Intercept, Flávio Bolsonaro teria pedido dinheiro a Vorcaro para financiar a produção sobre a trajetória política do pai.
A conversa ocorreu em novembro do ano passado. Depois que o conteúdo veio a público, o senador negou qualquer negociação de vantagem indevida com o banqueiro.
Além disso, Flávio afirmou que os recursos mencionados na conversa tinham origem privada.




