O candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) passou por audiência de custódia nesta sexta-feira (18) e seguirá preso. Ele foi detido na quinta-feira (17), durante a “Operação Vectura Corrupta”, que investiga suspeitas de financiamento de campanhas eleitorais pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a investigação, Morgado teria recebido apoio financeiro do PCC para disputar a Prefeitura de Praia Grande, no litoral de São Paulo, em 2024. As suspeitas foram levantadas a partir de mensagens extraídas de celulares apreendidos – incluindo da esposa dele, Luciene Athaydes Morgado, que também é investigada.
Em nota, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que a prisão de Morgado ocorreu em cumprimento a um mandado. Segundo o tribunal, a audiência de custódia serviu para verificar se houve alguma irregularidade no cumprimento da ordem judicial. Como não foi identificada irregularidade, a prisão foi mantida.
Inicialmente, o advogado Marcelo Viela Fernandez, que representa Morgado, afirmou que ainda “não teve acesso aos autos do processo que fundamentou a prisão” do cliente, situação que classificou como “extremamente grave”. O candidato, contudo, negou “veementemente qualquer vínculo com organização criminosa”.
O que diz a defesa
Depois da audiência de custódia, Fernandez e o advogado João Paulo Silva Rocha informaram que, após terem acesso ao conteúdo da investigação, “não identificaram elemento objetivo que demonstre o recebimento de vantagem financeira, favorecimento indevido ou qualquer benefício relacionado ao pleito eleitoral”.
Segundo os defensores, “as referências ao crime organizado e ao tráfico de drogas constantes dos autos dizem respeito a fatos pretéritos atribuídos a outros investigados, sem demonstração de vínculo direto com Danilo ou com os fatos eleitorais mencionados”.
“A defesa seguirá adotando as medidas jurídicas cabíveis para o esclarecimento dos fatos, confiando que a análise individualizada das provas demonstrará a ausência de fundamento concreto para as imputações divulgadas. Reitera, ainda, seu respeito às instituições e sua confiança na atuação do Poder Judiciário, certa de que, com a observância do devido processo legal e o exame sereno dos elementos constantes dos autos, a verdade dos fatos será devidamente restabelecida”,
disse a defesa.
Operação Vectura Corrupta
A operação investiga a atuação do PCC no sistema de transporte coletivo e suspeitas de controle direto ou indireto da facção sobre empresas do setor. A ação cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
As empresas de ônibus citadas na investigação por suposto controle direto ou indireto do PCC são Transwolff, A2 Transportes, Transcap, Alfa Rodobus, Imperial Transportes, Move Bus, Pêssego Transportes, Allianz Transportes, Transunião, Qualibus Transportes, Norte Bus e Spencer Transportes. Em Cubatão, a apuração cita a Translider, que teria como sócios dois homens apontados pela polícia como “laranjas” dos verdadeiros proprietários.

Quem é Danilo Morgado
Danilo Morgado tem 41 anos, é empresário, casado e pai de quatro filhos. Nascido em uma família que ele descreve como humilde, afirma ter começado a trabalhar ainda na infância, ajudando o avô em uma oficina mecânica aos nove anos. Aos 18, trabalhou como motoboy e, posteriormente, passou cinco anos no Japão após ser aprovado em uma prova que lhe deu essa oportunidade.
De volta ao Brasil, Morgado trabalhou na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Em julho deste ano, foi confirmado como candidato a deputado estadual pelo PL. Antes, disputou a Prefeitura de Praia Grande em 2020. Em 2023, a Justiça Eleitoral determinou a cassação do registro de sua candidatura daquele pleito por abuso de poder econômico, segundo o juiz Aléssio Martins Gonçalves.




