A chegada da primavera, oficializada ontem (22), desperta imagens de ruas e cidades revestidas por flores, acompanhadas pelos aromas típicos da estação. Essa dinâmica acontece porque o sentido do cheiro mantém conexões diretas com as áreas cerebrais responsáveis pela memória e pelas emoções.
Fragrâncias agradáveis, como por exemplo, rosa, jasmim, gerânio e entre outras costumam ser vinculadas a momentos de felicidade, tranquilidade ou disposição. O estímulo aromático passa a ser empregado de forma consciente na construção de vivências particulares para cada pessoa.
“A primavera é muito visual, mas também é profundamente olfativa. Essa estação é uma boa oportunidade para lembrar que o cérebro percebe o mundo por vários sentidos. Flores, plantas e outros cheiros podem despertar lembranças e diferentes estados emocionais. O mais interessante talvez não seja perguntar qual é o aroma da felicidade, mas começar a perceber o que cada cheiro desperta em você”, explica Daiana Petry, Aromaterapeuta e especialista em neurociência.
Jasmim
Um estudo intitulado “Efeitos da inalação de óleo de jasmim na atividade das ondas cerebrais e nas emoções” avaliou 20 voluntários saudáveis, monitorando a atividade cerebral por meio de eletroencefalograma antes e depois da inalação da substância.
Os participantes relataram elevação em sensações positivas, a exemplo de bem-estar, disposição e frescor. Com base nos resultados, os autores concluíram que o óleo exerce um efeito estimulante sobre o sistema nervoso.
“O jasmim mostra que essa classificação não é tão simples. Dependendo do aroma e da forma como ele é utilizado e estudado, podemos encontrar respostas bastante diferentes”, pontua a especialista.
A flor nasce principalmente da primavera até o outono, variando conforme a espécie. O tipo comum desabrocha na estação com pétalas brancas e muito perfumadas. Já a variedade rosa abre no início do período com botões cor-de-rosa que se transformam em brancos.
Gerânio
Um ensaio clínico monitorou 120 mulheres na pós-menopausa com sintomas depressivos para comparar os efeitos da massagem tradicional, da massagem aromaterápica com óleo essencial de gerânio a 2% e de um grupo de controle.
As sessões ocorreram durante oito semanas. O estudo apontou que tanto a massagem comum quanto a técnica com gerânio mostraram relação com a queda nos escores de depressão, sendo a redução mais expressiva no grupo que recebeu a aromaterapia.
“Encontrar um efeito em determinado grupo e condições controladas não significa dizer que um óleo essencial substitui acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. Aromaterapia pode ser estudada e utilizada como recurso complementar, respeitando suas indicações e limites”, destaca Daiana.





