A Primavera muda as condições do ambiente e pode aumentar o contato de cães e gatos com agentes capazes de desencadear alergias. O período exige observação dos animais em casa, principalmente quando surgem alterações na pele, nos olhos, nos ouvidos ou na respiração.
Primavera pode aumentar contato com pólen
O pólen está entre os agentes ambientais relacionados às alergias em animais. Grama, árvores, plantas, mofo e poeira também podem participar das reações em cães e gatos.
Alergias ambientais podem envolver pólen, ácaros e esporos de fungos. Em cães, a dermatite atópica costuma provocar coceira e pode apresentar comportamento sazonal.
Nos gatos, os sinais podem aparecer principalmente na pele. Alguns animais também apresentam alterações respiratórias quando entram em contato com partículas presentes no ar.
A asma felina, por exemplo, pode estar relacionada à inalação de alérgenos. O pólen, a poeira e o mofo estão entre os possíveis desencadeadores.
De acordo com Myriam Teixeira, médica-veterinária e professora da Newton Paiva Wyden, entre as manifestações que podem ganhar força nessa época estão problemas respiratórios, dermatológicos, oculares e otológicos.
“Na primavera, alguns fatores ambientais podem aumentar a exposição de cães e gatos a agentes capazes de desencadear ou agravar manifestações alérgicas. Um dos principais é o aumento das floradas e, consequentemente, da presença de pólen e de outras partículas ambientais”, disse.
Alergia a pulgas merece atenção na Primavera
O aumento da atividade das pulgas também pode influenciar problemas alérgicos. A dermatite alérgica à picada de pulga ocorre quando o animal apresenta reação à saliva do parasita.
Uma única picada pode provocar coceira intensa em animais sensibilizados. Por isso, o responsável pode não encontrar pulgas no corpo mesmo quando existe uma reação alérgica.
Cães e gatos podem desenvolver alergia à saliva das pulgas. O controle deve considerar o animal e o ambiente onde ele vive.
As pulgas nem sempre ficam visíveis durante a inspeção. Em gatos, o excesso de lambedura pode dificultar ainda mais a identificação do parasita.
“Em animais sensibilizados, a picada de uma única pulga pode desencadear uma reação alérgica intensa, caracterizando a dermatite alérgica à picada de pulga, que geralmente provoca prurido intenso e lesões dermatológicas”, explica Myriam.
Coceira não confirma alergia em cães e gatos
Coceira, vermelhidão, queda de pelos e feridas podem aparecer em diferentes doenças. Por isso, a aparência da pele não permite confirmar sozinha a causa do problema.
Parasitas, infecções, alergias alimentares e fatores ambientais podem produzir sinais semelhantes. É recomendado investigar causas diferentes antes de definir o tratamento.
Nos gatos, alterações como pequenas crostas, falhas no pelo e coceira também podem ter várias origens. O diagnóstico pode exigir exames e avaliação do histórico do animal.
“Animais muito sensíveis podem apresentar uma reação intensa mesmo após poucas picadas, e muitas vezes as pulgas não são observadas durante o exame feito pelo responsável em casa”, ressalta.
Olhos e ouvidos também podem apresentar sinais
As reações alérgicas podem atingir outras regiões além da pele. Vermelhidão, lacrimejamento e irritação nos olhos merecem acompanhamento quando aparecem de forma persistente.
Os ouvidos também precisam de atenção. A inflamação relacionada às alergias pode contribuir para episódios recorrentes de otite e favorecer infecções secundárias.
Alergias podem se manifestar nos olhos, ouvidos e pele de cães e gatos. Infecções recorrentes também podem indicar a necessidade de investigar uma causa alérgica.
“Em casa, não é possível diferenciar com segurança uma alergia de outras doenças dermatológicas apenas pela aparência das lesões e uma avaliação profissional pode ser necessária para confirmar ou excluir um diagnóstico”, ressalta a veterinária.
Quando procurar atendimento veterinário
O responsável deve procurar um veterinário quando a coceira for intensa ou persistente. Queda de pelos, feridas, crostas, secreções, mau odor e episódios repetidos de otite também precisam de avaliação.
Alterações na respiração exigem atenção especial. Dificuldade respiratória importante, inchaço repentino no rosto ou focinho, fraqueza intensa, desmaio ou colapso são sinais que exigem atendimento imediato.
“Nem toda conjuntivite nessa época do ano é alérgica, sendo necessário considerar também causas infecciosas, corpos estranhos e outros irritantes ambientais”, explica Myriam.
A avaliação profissional permite diferenciar alergias de infecções, parasitas e outras doenças. O tratamento depende da causa identificada e pode exigir controle ambiental, combate aos ectoparasitas ou outras medidas específicas.
Durante a Primavera, observar mudanças no comportamento e no corpo do animal ajuda a identificar alterações com mais rapidez. A manutenção regular do controle contra pulgas também faz parte dos cuidados indicados para animais suscetíveis.
“Inchaço súbito da face ou do focinho, dificuldade respiratória importante, fraqueza intensa, desmaio ou colapso podem estar associados a reações de hipersensibilidade graves e constituem situações de emergência”, conclui.




