A inflação voltou a subir em setembro. A prévia do índice oficial ficou em 0,70%, após registrar queda de 0,40% em agosto. O resultado do IPCA-15 é o maior desde abril, quando a alta chegou a 0,89%.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a principal pressão veio da conta de luz. O fim do desconto do Bônus Itaipu fez a energia elétrica residencial subir 7,42% no mês.
Com o resultado, o IPCA-15 acumula alta de 3,82% em 2026 e de 4,47% nos últimos 12 meses.
Por que a inflação subiu tanto em setembro?
A habitação teve a maior alta entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, com avanço de 2,07%. A energia elétrica respondeu sozinha por um impacto de 0,29 ponto percentual no IPCA-15.
Em agosto, as contas de luz tiveram redução com o Bônus Itaipu, crédito concedido aos consumidores a partir do saldo positivo da comercialização de energia da hidrelétrica. Sem o desconto em setembro, a comparação com o mês anterior mostrou uma forte alta.
Além da habitação, outros grupos também registraram aumento:
- Despesas pessoais: 0,96%;
- Transportes: 0,60%;
- Artigos de residência: 0,55%;
- Comunicação: 0,54%;
- Vestuário: 0,41%;
- Alimentação e bebidas: 0,40%;
- Saúde e cuidados pessoais: 0,13%;
- Educação: 0,03%.
O que essa alta da inflação significa para o seu bolso?
Na prática, uma inflação de 0,70% indica que, em média, os produtos e serviços acompanhados pelo índice ficaram mais caros no período. Isso reduz o poder de compra quando a renda não aumenta no mesmo ritmo.
O impacto, porém, não é igual para todas as famílias. Quem teve gastos maiores com energia elétrica, por exemplo, pode ter sentido uma alta mais forte do que a média indicada pelo IPCA-15.
Também houve pressão em despesas do dia a dia. As passagens aéreas subiram 9,82%, enquanto os combustíveis avançaram 0,22%. A gasolina ficou 0,30% mais cara.
Alimentos também ficaram mais caros
A alimentação dentro de casa subiu 0,38% em setembro, revertendo a queda de 0,97% registrada em agosto.
Entre os alimentos que mais subiram, o tomate chamou atenção, com alta de 20,76%. O arroz aumentou 2,39% e as carnes ficaram 1,30% mais caras.
Na outra ponta, alguns produtos deram alívio ao consumidor. O feijão-carioca caiu 6,33%, a cebola recuou 4,41% e o café moído teve queda de 1,36%.
Como está a inflação em 2026?
A prévia da inflação acumula 3,82% desde janeiro. Veja a variação mensal do IPCA-15:
Prévia da inflação em 2026
IPCA-15 voltou a subir em setembro após queda de 0,40% em agosto
Tabela legível por leitores de tela: Evolução mensal do IPCA-15 em 2026
| Mês | Variação (%) |
|---|---|
| Janeiro | 0,20% |
| Fevereiro | 0,84% |
| Março | 0,44% |
| Abril | 0,89% |
| Maio | 0,62% |
| Junho | 0,41% |
| Julho | 0,06% |
| Agosto | -0,40% |
| Setembro | 0,70% |
O IPCA-15 usa metodologia semelhante à do IPCA, mas considera outro período de coleta de preços.
O resultado oficial do IPCA de setembro está previsto para 9 de outubro.
Já o Boletim Focus, levantamento do Banco Central com instituições do mercado financeiro, aponta expectativa de inflação de 0,52% em setembro. A projeção está abaixo da alta de 0,70% registrada pelo IPCA-15.
*Com informações de Agência Brasil




