Aos 23 anos, Eduarda Campopiano (PL) foi eleita deputada estadual com 1.956.238 votos, a maior votação para o cargo em São Paulo nas Eleições 2026. Atual vereadora de Praia Grande, no litoral de São Paulo, ela chega à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) prometendo ser “a pedra no sapato da esquerda”, com uma campanha marcada pela defesa de pautas conservadoras.
À VTV, emissora afiliada do SBT na Baixada Santista, a nova deputada afirmou que o resultado aumenta a responsabilidade do mandato e atribuiu a votação ao trabalho desenvolvido até agora. Entre as prioridades estão a retomada das discussões sobre o Túnel Santos-Guarujá e a implantação do VLT em Praia Grande.
Ao falar sobre a proteção das mulheres, a deputada, que se identifica como antifeminista, afirmou que a segurança deve ser tratada de maneira ampla e defendeu leis mais rigorosas, valorização das forças policiais e a possibilidade de mulheres ameaçadas terem acesso ao porte de armas. Confira abaixo os pontos abordados.
Responsabilidade após votação
Eduarda Campopiano disse que a quantidade de votos recebida aumenta a responsabilidade do mandato, principalmente pela dimensão do eleitorado que passou a representar.
“Com certeza eu acho que todos os deputados têm uma responsabilidade muito grande, mas quando a gente percebe que a gente está representando um número tão massivo de pessoas, essa responsabilidade com certeza aumenta”,
afirmou.
Segundo ela, o resultado também teve impacto na composição da bancada do PL na Assembleia, onde ficam os deputados estaduais. Eduarda afirmou que sua votação contribuiu para a eleição de outros candidatos da legenda e destacou o tamanho da bancada conquistada pelo partido.
“Graças a Deus a gente conseguiu puxar muitos deputados pra bancada do PL. Foram sete ou oito deputados que foram puxados por causa da minha votação e o PL conquistou mais uma vez, pela segunda legislatura consecutiva, a maior bancada da Alesp”.
A deputada faz referência ao funcionamento do sistema proporcional, em que os votos recebidos pelos candidatos de um partido, somados aos votos de legenda, ajudam a definir quantas cadeiras aquela sigla terá direito. Depois, as vagas são preenchidas pelos candidatos mais votados dentro do partido ou federação.
Mobilidade é prioridade
Ao falar sobre as primeiras prioridades do mandato, Eduarda citou projetos e obras de infraestrutura que afetam diretamente a mobilidade entre as cidades da Baixada Santista e a ligação da região com a capital paulista. Ela afirmou que pretende levar essas demandas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), trabalhando em conjunto com o Executivo estadual. Entre os projetos mencionados estão o Túnel Santos-Guarujá, uma possível terceira via da Imigrantes e a implantação do VLT em Praia Grande.
“Muitas coisas pra gente locomover tanto entre uma cidade e outra quanto pra subir pra São Paulo ou pra chegar ao Guarujá. A gente tem que expandir, tem que acelerar o mais rápido possível, tirar do papel o túnel Santos-Guarujá, pensar na possibilidade da terceira via da Imigrantes, o VLT de Praia Grande precisa sair”.
Eduarda também afirmou que pretende trabalhar diretamente com Tarcísio de Freitas e mencionou a possibilidade de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial como um cenário que, na avaliação dela, poderia facilitar a articulação dos projetos.
“Tudo isso vai ser pensado em conjunto com o governador e com o presidente se tudo der certo.”
Antifeminismo
Questionada pela repórter Marcela Damore, da VTV SBT, sobre a defesa e a proteção das mulheres diante de seu posicionamento contrário ao feminismo, Eduarda afirmou que a proteção deve alcançar toda a população. Ela disse que homens, mulheres e crianças estão sujeitos à violência e defendeu uma política de segurança baseada no endurecimento das leis, na atuação policial e na possibilidade de autodefesa.
“Eu acho que ela deve ser sempre reforçada, não só nas mulheres, mas de todas as pessoas. Todos os cidadãos são iguais perante a lei, todos os cidadãos pagam impostos igualmente. Todos os cidadãos correm risco”.
A deputada citou crimes como latrocínio [roubo seguido de morte] e estupro para argumentar que o medo da violência, na avaliação dela, atinge diferentes grupos da população, não apenas mulheres. “O que existe no Brasil é o medo de sair de casa e voltar vivo. Pra todas as pessoas. Seja um latrocínio, seja um estupro.”
Na entrevista, Eduarda defendeu o endurecimento das punições para criminosos e a valorização das forças policiais. Ela afirmou que, na visão dela, medidas de segurança precisam produzir efeitos concretos na prevenção e no combate à violência. A deputada também defendeu o acesso ao porte de armas.
“Se todas essas mulheres ameaçadas pudessem ter a forma de se defender com o porte de armas, por exemplo, a gente também resolveria outro pedaço desse problema. Vamos fazer tornozeleira rosa pro cara que violentou uma mulher. Isso não resolve o problema. Isso não impede ninguém de violentar uma próxima mulher. O que resolve o problema da violência contra a mulher, contra o homem, contra a criança, contra todo mundo, é tratar o bandido como ele, deve proteger o cidadão e valorizar as forças policiais”.
Monitoramento é segurança
Para a área da segurança, Eduarda citou a ampliação de sistemas de monitoramento e integração entre municípios, como é o caso do Smart Sampa, que funciona na Capital paulista. Afirmou, ainda, que Praia Grande já conta com equipamentos ligados à chamada Muralha Paulista – um deles é o Centro Integrado de Comando e Operações Especiais (CICOE), sistema de monitoramento utilizado na cidade.
Segundo Eduarda, a estrutura permite recursos como acompanhamento de ocorrências, identificação de placas de veículos e reconhecimento facial. A ideia, segundo ela, é ampliar esse tipo de tecnologia para outras cidades.
“Como deputada estadual eu me comprometo junto com o governador a expandir esse sistema pra outras cidades que ainda não tenham. Uma vez que várias cidades contarem com esse sistema, elas começam a trabalhar em conjunto. E o crime que acontece numa cidade, mas o cara se evade pra outra, não depende daquela cidade apenas resolver”.
Para ela, a integração permitiria que as forças de segurança compartilhassem informações e respondessem de maneira mais rápida às ocorrências.
‘Decência de volta para a política’, diz deputada
Questionada sobre o que os eleitores podem esperar de seu mandato, Eduarda afirmou que pretende manter na Assembleia as pautas e os posicionamentos conservadores defendidos durante a campanha.
“A população e principalmente os dois milhões de pessoas que confiaram os seus votos a mim podem esperar que a gente vai trazer decência de volta pra política”.
A deputada também afirmou que pretende se posicionar contra pautas das quais discorda.
“Quem votou em mim espera a defesa de valores específicos. E são esses valores que eu vou defender. Quem votou em mim espera oposição a pautas específicas. E eu vou me opor a todas essas pautas”.
No fim da entrevista, Eduarda resumiu a postura que pretende adotar no Legislativo com uma frase que, segundo ela, deve orientar sua atuação parlamentar: “A gente vai trazer decência de volta pra política, nossa moral não é relativa, existe certo, existe errado”, finalizou.

Quem é Eduarda Campopiano
Maria Eduarda Campopiano Monteiro, conhecida como Eduarda Campopiano, nasceu em Campinas, no interior de São Paulo, e tem 23 anos. Vereadora de Praia Grande, ganhou projeção principalmente nas redes sociais, onde produz conteúdo relacionado a pautas conservadoras e críticas ao movimento feminista.
A parlamentar também ganhou visibilidade ao participar de podcasts e programas, inclusive com pessoas de posições políticas diferentes das suas. Nas redes sociais, reúne milhões de seguidores e já apareceu ao lado de nomes como Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e o ex-presidente Jair Bolsonaro.
*Com informações da repórter Marcela Damore, da VTV SBT




