A inflação voltou a subir em setembro e chegou a 0,82%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é o maior desde março deste ano e foi impulsionado principalmente pelo aumento da conta de luz, dos alimentos e dos combustíveis.
Com a alta, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula 4,58% nos últimos 12 meses, ultrapassando o teto de 4,5% da meta de inflação. Em agosto, o indicador havia registrado queda de 0,32%.
O resultado também surpreendeu o mercado financeiro, que esperava uma alta de 0,60% para setembro.
O que fez a inflação subir em setembro?
A conta de luz foi a principal responsável pela alta da inflação, com aumento de 7,98% em setembro. O avanço ocorreu principalmente após o fim do Bônus de Itaipu, desconto concedido aos consumidores em agosto.
Sem o benefício, as tarifas voltaram ao valor normal, provocando uma diferença significativa entre os dois meses.
Além da energia elétrica, outros produtos e serviços ficaram mais caros:
- Passagens aéreas: alta de 9,66%;
- Gasolina: aumento de 1,21%;
- Etanol: alta de 3,16%;
- Tomate: aumento de 37,76%;
- Batata-inglesa: alta de 24,07%;
- Cebola: aumento de 10,14%;
- Arroz: alta de 4,56%.
Por outro lado, alguns alimentos ficaram mais baratos, como o frango inteiro (-1,96%), o frango em pedaços (-1,41%) e as frutas (-1,12%).
O que a alta da inflação significa para o consumidor?
Na prática, a alta da inflação significa que o consumidor precisa gastar mais para comprar determinados produtos e pagar serviços. Isso pode reduzir o poder de compra das famílias, principalmente quando os salários não acompanham os reajustes.
O impacto aparece em despesas do dia a dia, como supermercado, energia elétrica e transporte. Com esses gastos mais altos, sobra menos dinheiro para outras necessidades.
Por exemplo, um produto que custava R$ 100 e sofreu reajuste de 10% passa a custar R$ 110. Se a renda continuar igual, o consumidor terá que reorganizar o orçamento.
Vale lembrar que o IPCA representa uma média de preços. Portanto, o impacto pode variar conforme os hábitos de consumo de cada família.
Inflação acima da meta: o que acontece agora?
Com o acumulado de 4,58% em 12 meses, a inflação ultrapassou o limite de tolerância estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A meta oficial é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que o índice deve permanecer entre 1,5% e 4,5%.
Apesar do resultado de setembro, a meta só é considerada descumprida quando a inflação permanece acima do limite por seis meses consecutivos.
Para outubro, a expectativa é de algum alívio na conta de energia, já que a bandeira tarifária verde não prevê cobrança adicional.
Segundo o IBGE, o IPCA acompanha a variação dos preços de produtos e serviços consumidos por famílias com renda entre um e 40 salários mínimos.
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