O bullying e o cyberbullying podem provocar sofrimento psicológico e contribuir para a normalização de comportamentos violentos entre crianças e adolescentes. Por isso, a Polícia Civil de São Paulo alerta pais e responsáveis para a importância do diálogo em família, da educação digital e da identificação de sinais de sofrimento. O tema foi abordado pela delegada Lisandréa Salvariego, coordenadora do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), em orientação divulgada pelo Governo do Estado.
Segundo a delegada, a prevenção começa em casa, com conversas sobre respeito, limites e as consequências de humilhar outras pessoas, inclusive pela internet. Além disso, a atenção dos responsáveis pode ajudar a identificar tanto possíveis vítimas quanto crianças e adolescentes que praticam ou incentivam agressões.
Bullying pode ultrapassar os limites da escola
O bullying consiste em comportamentos intencionais e repetidos de intimidação, humilhação, constrangimento ou agressão. Quando essas ações ocorrem no ambiente virtual, por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens ou publicações, recebem o nome de cyberbullying.
Diferentemente das agressões presenciais, as ofensas digitais podem continuar mesmo quando a vítima deixa a escola ou se afasta de determinado grupo. Isso acontece porque mensagens e imagens podem circular pela internet e alcançar diferentes ambientes da vida da criança ou do adolescente.
De acordo com Lisandréa, a falta de empatia e a banalização das humilhações merecem atenção. Quando crianças e adolescentes passam a considerar esse comportamento normal, podem deixar de reconhecer os impactos das próprias atitudes sobre outras pessoas.
A delegada também destaca a necessidade de orientar os jovens sobre o uso responsável da tecnologia. Embora muitos cresçam conectados à internet, nem todos recebem informações suficientes sobre os limites das interações digitais e as consequências de compartilhar conteúdos ofensivos.
Mudanças de comportamento podem indicar bullying
Pais e responsáveis devem observar alterações na rotina e no comportamento dos filhos. Segundo a Polícia Civil, o isolamento, as mudanças na alimentação, a resistência em frequentar determinados lugares e o afastamento das redes sociais podem indicar que algo está errado.
Diante desses sinais, a recomendação é conversar com a criança ou o adolescente, ouvir o relato com atenção e evitar julgamentos. Minimizar a situação ou classificá-la como uma simples brincadeira pode dificultar a busca por ajuda.
Além disso, os responsáveis devem criar um ambiente de confiança para que os filhos se sintam seguros ao relatar situações de humilhação, ameaças ou agressões.
A atenção também precisa alcançar crianças e adolescentes que praticam o bullying. Nesses casos, a família deve explicar os impactos das atitudes, estabelecer limites e reforçar a importância do respeito nas relações presenciais e virtuais.
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Quem presencia as agressões também tem responsabilidade
A prevenção não depende apenas da vítima e de quem pratica as agressões. Pessoas que presenciam as humilhações também podem contribuir para a continuidade do bullying.
Rir das ofensas, compartilhar publicações constrangedoras ou incentivar os ataques em grupos de mensagens amplia a exposição da vítima. Por outro lado, procurar um adulto de confiança e relatar o que aconteceu pode ajudar a interromper a violência.
Quando o episódio ocorre na escola, pais e responsáveis devem comunicar a instituição para que a situação seja avaliada e as medidas necessárias sejam adotadas. O mesmo cuidado vale para agressões em outros ambientes de convivência.
Bullying e cyberbullying são crimes no Brasil
A Lei nº 14.811/2024 incluiu o bullying e o cyberbullying no Código Penal, com punições específicas para cada modalidade.
Quando a intimidação sistemática não configura um crime mais grave, a legislação prevê multa para o bullying. Já o cyberbullying pode resultar em reclusão de dois a quatro anos, além de multa, também quando a conduta não constitui crime mais grave.
Diante de uma situação de violência, a orientação é guardar registros das agressões, como mensagens, publicações e capturas de tela, e procurar as autoridades. Esses materiais podem ajudar a documentar os fatos e subsidiar a apuração.
O alerta da Polícia Civil reforça que a prevenção exige acompanhamento contínuo, diálogo e orientação sobre o uso da internet. Mais do que reagir depois de uma agressão, a participação das famílias pode ajudar crianças e adolescentes a reconhecer comportamentos abusivos, respeitar limites e pedir ajuda quando necessário.
Pais e responsáveis que identificarem sinais de bullying ou cyberbullying devem conversar com a criança ou o adolescente, comunicar a escola quando houver relação com o ambiente escolar e procurar a Polícia Civil diante de situações de violência ou ameaças. Sempre que possível, é importante preservar mensagens, publicações e outros registros digitais que possam ajudar a documentar as agressões.




