Golpes digitais podem começar com uma mensagem aparentemente comum, uma ligação inesperada ou uma oferta difícil de ignorar. Para convencer as vítimas, criminosos exploram principalmente a pressa, o medo, a curiosidade e a promessa de vantagem financeira. Com o avanço da Inteligência Artificial (IA), essas abordagens também ganharam novos recursos para tornar situações falsas mais convincentes.
Segundo o delegado Paulo Barbosa, da Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber) da Polícia Civil de São Paulo, a tecnologia ampliou as possibilidades para os criminosos, principalmente em golpes que utilizam engenharia social. Por isso, antes de clicar em links, fornecer informações ou transferir dinheiro, a orientação é interromper a abordagem e confirmar se a situação é verdadeira.
Golpistas tentam fazer vítima agir sem pensar
Os métodos utilizados pelos criminosos mudam, mas muitos seguem uma estratégia semelhante. Primeiro, eles criam uma situação capaz de provocar uma reação emocional. Depois, pressionam a vítima para que tome uma decisão rapidamente.
Além disso, quadrilhas podem reunir informações pessoais antes de iniciar o contato. Nomes, parentes, locais frequentados e outros dados disponíveis na internet ajudam os criminosos a construir abordagens mais personalizadas.
Segundo Barbosa, a Inteligência Artificial tornou esse processo ainda mais sofisticado. Com recursos tecnológicos, os criminosos conseguem criar conteúdos falsos e simular situações que aumentam a sensação de medo, urgência ou perigo.
Por isso, uma mensagem que exige uma resposta imediata deve ser encarada com desconfiança.
5 sinais de alerta para identificar golpes digitais
Desconfie antes de clicar, compartilhar dados ou fazer uma transferência.
Pedido urgente de dinheiro
A pressão para agir imediatamente é um sinal de alerta.
Link desconhecido
Evite acessar endereços recebidos de fontes duvidosas.
Oferta muito abaixo do mercado
Preços fora do padrão podem esconder uma fraude.
Pedido de senha ou código
Não compartilhe credenciais ou códigos de segurança.
Suposto familiar pedindo Pix
Confirme a identidade por outro canal.
Falsa central bancária tenta provocar reação imediata
Um dos golpes mais conhecidos ocorre quando criminosos se passam por funcionários de bancos. Eles entram em contato com a vítima e afirmam que identificaram uma compra suspeita, uma movimentação incomum ou algum problema na conta.
Na sequência, o golpista pode solicitar dados pessoais, códigos de segurança ou orientar a vítima a realizar determinada operação.
Nesse tipo de situação, encerre a ligação e procure o banco por um canal oficial. Além disso, não utilize números de telefone, links ou contatos enviados pelo próprio suspeito.
Golpe do falso familiar pode usar inteligência artificial
Outro golpe comum utiliza fotos de familiares para pedir dinheiro por aplicativos de mensagens. O criminoso pode criar um perfil falso ou utilizar uma conta para se passar por alguém conhecido.
Em alguns casos, a abordagem também inclui informações retiradas das redes sociais. Com o auxílio de ferramentas de IA, os golpistas ainda podem reproduzir a voz da pessoa que pretendem imitar.
O delegado Paulo Barbosa citou o caso de um criminoso que se passou pelo filho de uma vítima. Durante a conversa, o suspeito afirmou que o carro havia quebrado em uma rodovia e pediu um Pix para pagar um suposto mecânico.
Diante de uma situação semelhante, não faça a transferência imediatamente. Em vez disso, ligue para o familiar pelo número que você já possui e confirme o que aconteceu.
Falso familiar: não faça Pix sem confirmar
“Oi, troquei de número. Preciso de dinheiro.”
O golpista tenta impedir que você confirme a história.
A vítima é induzida a realizar a transferência.
Ligue para o familiar pelo número que você já conhece.
Promessas de dinheiro fácil também escondem golpes
As redes sociais também servem de ferramenta para criminosos que prometem ganhos elevados com investimentos. Nesses casos, os responsáveis podem se apresentar como especialistas ou gestores e divulgar supostas oportunidades de lucro.
Além disso, algumas quadrilhas utilizam anúncios pagos para alcançar um número maior de pessoas. A estratégia pode incluir promessas de retorno muito acima do valor investido e uma suposta oportunidade que precisa de uma decisão imediata.
Por isso, desconfie de propostas que prometem ganhos elevados, principalmente quando o responsável exige uma transferência rápida para garantir a participação.
Sites falsos imitam lojas durante períodos de compras
Os criminosos também aproveitam datas comerciais para criar páginas falsas. Durante a Black Friday, por exemplo, sites fraudulentos podem oferecer celulares, computadores, eletrodomésticos e outros produtos por valores muito inferiores aos praticados normalmente.
Antes de finalizar uma compra, confira cuidadosamente o endereço eletrônico da loja e compare os preços em outros estabelecimentos. Além disso, evite acessar páginas de pagamento por links recebidos em mensagens quando não houver certeza sobre a procedência.
Uma oferta muito abaixo do preço de mercado, acompanhada de pressão para concluir a compra rapidamente, merece atenção.

Como evitar golpes digitais
Para o delegado Paulo Barbosa, a prevenção começa com uma mudança de comportamento: evitar decisões automáticas diante de mensagens, ligações ou ofertas inesperadas.
Se um suposto familiar pedir dinheiro, confirme a identidade antes de fazer qualquer transferência. Da mesma forma, se alguém se apresentar como funcionário de banco, encerre o contato e procure a instituição por um canal oficial.
Também não forneça senhas, códigos de autenticação ou informações bancárias durante contatos iniciados por terceiros.
Além disso, ative a autenticação em dois fatores nas contas mais importantes. Usar senhas diferentes em serviços distintos também ajuda a reduzir os riscos caso uma delas seja descoberta.
Caiu em um golpe? Avise o banco imediatamente
Se a fraude já aconteceu, entre em contato com o banco o quanto antes pelos canais oficiais. No caso de transferências via Pix, a vítima pode solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), desde que a operação se enquadre nas regras do procedimento.
O Banco Central estabelece prazo de até 80 dias para solicitar o MED após a transação. Depois da contestação, as instituições analisam o caso e, quando confirmam a fraude, podem devolver os valores encontrados na conta do recebedor.
Além disso, o mecanismo permite novas tentativas de recuperação quando o banco não consegue recuperar todo o dinheiro inicialmente. O procedimento pode continuar por até 90 dias após a transação, conforme as regras do Banco Central.
Por isso, comunique a instituição financeira assim que perceber o golpe. A rapidez pode facilitar o bloqueio dos recursos antes que o dinheiro seja movimentado novamente.
Caiu no golpe?
Veja as medidas que podem ajudar a proteger seus dados e tentar recuperar o dinheiro.
Avise o banco
Informe o que aconteceu.
Bloqueie o cartão
Se necessário.
Conteste a transação
Peça orientações à instituição financeira.
Solicite o MED
Se foi Pix, peça o Mecanismo Especial de Devolução quando aplicável.
Registre um boletim de ocorrência
Guarde as provas
Prints, comprovantes e contatos.
Troque as senhas
Se houver suspeita de acesso indevido.
Compra desconhecida no cartão? Saiba como agir
Ao identificar uma compra que você não reconhece, bloqueie o cartão imediatamente pelo aplicativo ou por um canal oficial do banco.
Em seguida, informe quais transações não foram autorizadas e solicite a contestação. Guarde também o número do protocolo e os comprovantes do atendimento.
Caso a fraude tenha ocorrido depois de uma compra pela internet ou envolva um cartão virtual, altere as senhas do banco, do e-mail principal e dos sites que armazenavam os dados do cartão.
Se houver suspeita de que o celular ou computador tenha sido comprometido, faça uma verificação de segurança no dispositivo e evite realizar novas operações financeiras até protegê-lo.
Roubo de dados exige atenção mesmo sem prejuízo financeiro
O vazamento de informações pessoais também pode gerar riscos, mesmo quando o criminoso ainda não conseguiu retirar dinheiro da vítima.
Nesse caso, troque as senhas das contas afetadas e ative a autenticação em dois fatores. Além disso, monitore regularmente as movimentações relacionadas ao CPF.
O Registrato, serviço do Banco Central, permite consultar informações sobre contas, empréstimos e outros relacionamentos financeiros registrados em nome do cidadão.
Caso apareçam contas ou operações que você não reconhece, comunique imediatamente a instituição responsável e registre a ocorrência.

Onde registrar um golpe em São Paulo
Em São Paulo, vítimas de estelionato e outras fraudes podem registrar o boletim de ocorrência pela Delegacia Digital da Polícia Civil. O serviço funciona 24 horas e permite registrar determinadas ocorrências pela internet.
Também é possível procurar presencialmente uma delegacia de polícia. O registro formaliza o caso e reúne informações que podem ajudar nas investigações.
Para denúncias anônimas sobre quadrilhas, páginas fraudulentas ou outras atividades criminosas, o cidadão pode utilizar o Web Denúncia ou o Disque Denúncia 181.
A DCCiber atua na investigação especializada de crimes cibernéticos. Entretanto, a vítima não precisa comparecer à divisão para registrar a ocorrência. O primeiro atendimento ocorre pelos canais oficiais da Polícia Civil.
Preserve as provas antes de apagar as mensagens
Mesmo depois de identificar o golpe, não apague imediatamente as conversas. Antes disso, faça capturas de tela e guarde números de telefone, perfis, links, e-mails, comprovantes de Pix, extratos bancários e outros registros relacionados à fraude.
Esses documentos podem ajudar a Polícia Civil a identificar os envolvidos e reconstruir a forma como o golpe ocorreu.
Além disso, manter os registros facilita a comunicação com bancos e outras instituições envolvidas no caso.
Onde buscar atendimento e registrar denúncias
Delegacia Digital
Registro de ocorrência pela internet.
Delegacia de Polícia
Atendimento presencial.
Disque Denúncia 181
Canal para denúncias anônimas.
Web Denúncia
Denúncias anônimas pela internet.
SERVIÇO: o que fazer depois de cair em um golpe?
Ao perceber uma fraude, comunique imediatamente o banco pelos canais oficiais e, se houver transferência via Pix, solicite o Mecanismo Especial de Devolução (MED), quando aplicável. Em São Paulo, registre o boletim de ocorrência pela Delegacia Digital ou procure uma delegacia presencialmente. Antes disso, preserve conversas, prints, links, comprovantes e demais evidências. Por fim, troque senhas, ative a autenticação em dois fatores, bloqueie cartões comprometidos e monitore o CPF para identificar possíveis movimentações não autorizadas.




