No último debate presidencial antes do segundo turno, realizado nesta sexta-feira (23) pela TV Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) convergiram na defesa do reajuste do salário mínimo acima da inflação. Apesar de concordarem com o piso salarial, os candidatos trocaram duras críticas sobre a política econômica, a taxa de juros e a perda do poder de compra da população. Dessa forma, o confronto marcou o ápice da disputa pelo eleitorado indeciso a dois dias da votação decisiva, agendada para este domingo (25).
Troca de críticas sobre a economia e o poder de compra
Durante o confronto direto, Flávio Bolsonaro questionou a condução da economia no atual governo. Além disso, o senador apontou a inflação como a principal vilã do orçamento familiar. O candidato do PL citou a alta taxa de juros e o fenômeno do encolhimento das embalagens de produtos do dia a dia para ilustrar o custo de vida elevado e o endividamento das famílias.
“Hoje é dia 23 de outubro, o mês acabou. O seu salário já acabou? O seu poder de compra foi destruído pela economia? Por que você endividou o povo brasileiro desse jeito?”, questionou Flávio.
Em resposta, Lula enfatizou o histórico dos governos petistas na valorização real do salário mínimo. Portanto, argumentou que a manutenção dessa regra garantiu o patamar atual do piso nacional.
“Se a gente não tivesse reajustado o salário acima da inflação, sabe quanto seria o salário mínimo? Seria R$ 900. Nós entendemos que vamos continuar aumentando o salário mínimo e aumentando muito”, afirmou o presidente.
Com o objetivo de rebater as acusações de que promoveria cortes drásticos no orçamento, Flávio garantiu que também manterá o reajuste do salário mínimo acima da inflação:
“Eu vou reajustar o salário mínimo acima da inflação para combater a sua fake news. Eu não vou fazer economia em cima dos mais pobres.”
Os 7 pontos de convergência entre Lula e Flávio Bolsonaro
Embora o tom do debate tenha sido combativo, o confronto na TV Globo revelou 7 temas econômicos em que os dois postulantes ao Planalto apresentam propostas convergentes:
- Salário mínimo e aposentadorias: Ambos garantem o reajuste do salário mínimo acima da inflação para trabalhadores, aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC.
- Bolsa Família: Garantia da manutenção do valor mínimo de R$ 600, bem como propostas de transição para quem conseguir emprego formal.
- Veto às privatizações: Posição contrária à venda de estatais estratégicas, como a Petrobras, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
- Tarifa zero nos finais de semana: Apoio à gratuidade no transporte público aos sábados e domingos para incentivar o lazer e a convivência familiar.
- Apoio a MEIs e alívio fiscal: Medidas voltadas para a desoneração e fortalecimento do microempreendedor individual.
- Renegociação de dívidas: Programas focados na recuperação do crédito e no combate ao endividamento das famílias.
- Expansão de ferrovias: Investimentos em infraestrutura de transporte de cargas e passageiros.
| Tema Econômico | Proposta de Lula (PT) | Proposta de Flávio Bolsonaro (PL) |
|---|---|---|
| Salário Mínimo | Regra fixa atrelada à inflação + crescimento do PIB | Garantia de reajuste do salário mínimo acima da inflação |
| Bolsa Família | Fortalecimento do CadÚnico e inclusão produtiva | Manutenção de R$ 600 com regra de transição ao emprego |
| Tarifa Zero | Gratuidade aos finais de semana ligada ao fim do 6×1 | Concordância com a gratuidade em sábados e domingos |
| Privatizações | Veto mantido no programa de governo | Veto a Petrobras, Caixa e Banco do Brasil (análise pontual do restante) |
Estratégias eleitorais e os planos de governo
Na busca pelos votos decisivos, Lula tentou associar o adversário a medidas de austeridade severa. Para isso, citou o risco de um “tesouraço” nos gastos públicos e fez comparações com o modelo econômico adotado por Javier Milei na Argentina.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, buscou afastar a imagem de cortador de benefícios sociais. Nesse sentido, o candidato do PL prometeu usar soluções tecnológicas para zerar as filas do INSS e criar regras para recuperar o poder de compra do trabalhador, permitindo que beneficiários dos programas sociais continuem recebendo o auxílio temporariamente ao entrar no mercado de trabalho.
Por fim, com o encerramento dos debates na televisão, os candidatos concentram seus últimos esforços de campanha antes da abertura das urnas no próximo domingo.
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