O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do empresário e influenciador Renato Cariani por associação para o tráfico de drogas, tráfico de insumos químicos e lavagem de dinheiro. Segundo reportagens publicadas em 28 de outubro, a pena pode chegar a 51 anos e oito meses de prisão. No entanto, esse cálculo depende da decisão judicial. Cariani responde ao processo em liberdade.
Além do influenciador, a Promotoria também pediu a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira. Segundo a acusação, os três teriam participado de um esquema de desvio de produtos químicos para a produção de drogas como cocaína e crack.
Em nota divulgada à imprensa, a defesa de Cariani afirmou que recebeu o pedido com naturalidade. Além disso, declarou que pretende contestar os argumentos do Ministério Público e demonstrar a improcedência das acusações.
Investigação apura desvio de produtos químicos
A Polícia Federal deflagrou a Operação Hinsberg em dezembro de 2023. A investigação apura um suposto esquema de desvio de insumos químicos destinados à fabricação de drogas.
Na época, Cariani era sócio da Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa sediada em Diadema, na Grande São Paulo. Segundo as autoridades, o esquema envolvia registros de vendas suspeitas. Algumas empresas apareciam como compradoras, mas não reconheciam as transações.
De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), os envolvidos teriam utilizado documentos e operações comerciais para ocultar o destino dos produtos químicos.
Além disso, as investigações apontam que o esquema movimentou aproximadamente R$ 2,5 milhões em depósitos em espécie. As autoridades também estimaram o desvio de cerca de 12 toneladas de insumos químicos durante o período investigado.
Ministério Público pede condenação de três réus
Nas alegações finais, a Promotoria atribuiu a Cariani participação no suposto esquema por meio da estrutura empresarial e de operações comerciais envolvendo os insumos.
Já Fábio Spindola Mota é apontado como intermediário nas negociações e no fornecimento dos produtos químicos. Por sua vez, Rodrigo Gomes Pereira teria participado da movimentação de recursos financeiros relacionados às operações investigadas.
A acusação envolve associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. Entretanto, a Justiça ainda deverá analisar as provas e os argumentos apresentados pelas partes antes de decidir sobre a responsabilidade de cada réu.
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Pena pode chegar a 51 anos de prisão
O advogado criminalista Anderson Almeida explicou, em entrevista reproduzida pelo g1, que as penas podem variar de 16 anos e quatro meses a 51 anos e oito meses de prisão. Essa estimativa considera o acolhimento integral dos pedidos da acusação.
O cálculo inclui a acusação de associação para o tráfico, 59 episódios de tráfico de insumos químicos e outros 59 de lavagem de dinheiro.
Contudo, a pena definitiva dependerá da decisão judicial e do enquadramento das condutas. Portanto, o cálculo divulgado não representa uma condenação já estabelecida.
Defesa de Cariani afirma que buscará absolvição
O advogado Aldo Romani Netto, que representa Cariani, afirmou que o pedido do Ministério Público não surpreendeu a defesa. Segundo ele, a Promotoria apenas manteve a posição que apresenta desde o início do processo.
Além disso, o advogado declarou que pretende contestar cada argumento da acusação. A defesa também afirmou que utilizará as provas produzidas durante a instrução processual para demonstrar a improcedência das acusações.
Por fim, os advogados disseram confiar em um julgamento imparcial e manifestaram convicção de que a Justiça absolverá o influenciador.
Enquanto pede a condenação dos três réus, o Ministério Público também solicitou a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na Anidrol, e de Andréia Domingues Ferreira. Ambas também apareceram nas investigações.
Justiça deverá analisar os argumentos das partes
O pedido de condenação integra as alegações finais do Ministério Público, etapa em que a acusação apresenta sua avaliação das provas antes da sentença.
Agora, a defesa também deve apresentar seus argumentos finais. Em seguida, caberá à Justiça analisar o conjunto de provas e decidir se condena ou absolve os acusados.
Até a publicação de uma sentença, Cariani e os demais réus devem ser tratados como acusados no processo. Portanto, o pedido do Ministério Público não significa que a Justiça tenha reconhecido a culpa dos envolvidos.




