Os suspeitos de espancar o engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha são investigados por uma série de roubos no Centro de Santos, no litoral de São Paulo, antes da agressão fatal contra o jovem. Segundo a Polícia Civil, um dos adolescentes ouvidos relatou que o grupo foi ao local com a intenção de roubar celulares e correntes de ouro.
Marcelo participava de uma apresentação da Banda Esquerdantina, durante um ato em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na madrugada de 24 de outubro. Por volta das 3h17, ele se afastou do evento para ir ao banheiro e foi abordado pelo grupo.
De acordo com o relato apresentado à polícia, os suspeitos chegaram ao local por volta da 1h e cometeram ao menos cinco roubos de celulares entre 1h e 3h, antes de abordarem Marcelo. (entenda o crime mais abaixo)
O caso é investigado como latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte. Até o momento, oito suspeitos foram identificados: dois maiores de idade, de 18 e 19 anos, e seis adolescentes: dois de 17 anos, três de 16 anos e um de 14 anos. Dois dos adolescentes identificados, de 17 e 14 anos, foram apreendidos pela polícia.
Entenda a diferença:
🔍Roubo: No Brasil, o roubo é classificado quando alguém toma um bem de outra pessoa usando violência, ameaça ou impedindo que ela possa reagir, conforme o artigo 157 do Código Penal.
🔍Latrocínio: roubo que resulta na morte da vítima, conforme o artigo 157 do Código Penal.
Veja a linha do tempo dos crimes cometidos pelo grupo
A Polícia Civil divulgou a linha do tempo da ação criminosa do grupo durante a madrugada de 24 de outubro. Entenda abaixo:
⏩01h: Chegada ao evento Esquerdantina. Grupo foi ao Centro de Santos com a intenção de roubar correntes e celulares.
⏩01h–03h: Roubos anteriores. O adolescente relata ao menos cinco roubos antes da abordagem de Marcelo.
⏩03h17: Abordagem de Marcelo. Roubo na Rua Henrique Ablas, seguido de agressões graves contra a vítima.

Polícia investiga roubo de cinco celulares cometidos pelo grupo antes das agressões que mataram Marcelo. Foto: Reprodução/Redes sociais
Como aconteceu o crime
Por volta das 3h17, Marcelo se afastou do evento para ir ao banheiro e foi abordado pelo grupo. Preocupados com a demora, os amigos foram procurá-lo e o encontraram desacordado na esquina da Avenida Conselheiro Nébias com a Rua Henrique Ablas.
Segundo a Polícia Civil, os suspeitos roubaram o celular e outros pertences da vítima, ainda não identificados.
Conforme a reconstrução policial, um dos envolvidos abordou o engenheiro e anunciou o roubo. Um deles puxou Marcelo e desferiu um soco em seu rosto, fazendo com que ele caísse no chão. Em seguida, outros integrantes do grupo teriam se aproximado e participado das agressões, com socos e chutes.
Parte da ação foi transmitida ao vivo pelo TikTok. Durante a transmissão, é possível ouvir um dos suspeitos dizer: “Vish, nossa. Dormiu, louco”. A conta utilizada na transmissão foi banida pela plataforma.
Marcelo morreu em 26 de outubro, após sofrer um traumatismo cranioencefálico grave em decorrência das agressões, que resultou na morte cerebral do rapaz.
O que cada investigado teria feito, segundo a Polícia Civil
Veja abaixo a atuação de cada suspeito, de acordo com a investigação:
⏩Suspeito de 18 anos: conhecido como “Todão”, é quem anuncia o roubo. Apontado como autor da abordagem e titular do perfil responsável pela transmissão ao vivo, o chamado “dono da live”.
⏩Suspeito de 19 anos: conhecido como “DK”, acompanha “Todão” no anúncio do roubo.
⏩Adolescente 1, de 17 anos: responsável pelo “puxão” e pelo soco inicial contra a vítima.
⏩Adolescente 2, de 14 anos: admitiu ter estado com o grupo em subtrações anteriores, mas negou participação no crime contra Marcelo.
⏩Adolescente 3, de 16 anos: identificado junto à bicicleta, caminhando e subindo a calçada.
⏩Adolescente 4, de 17 anos: apontado por uma testemunha presencial como participante dos socos e chutes contra Marcelo.
⏩Adolescente 6, de 16 anos: vinculado preliminarmente à subtração contra uma pessoa que estava sentada na calçada.
As informações divulgadas pela Polícia Civil se baseiam em imagens de câmeras de segurança, na videotransmissão ao vivo feita no TikTok, em reconhecimento fotográfico e nas oitivas conduzidas pela investigação.

Veja o vídeo abaixo que exibe a atuação do grupo:
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Investigação analisa imagens
Para identificar e localizar os agressores, os policiais analisaram imagens de câmeras de monitoramento e de redes sociais do momento em que Marcelo foi abordado e agredido, e anteriores ao crime.
De acordo com a Prefeitura de Santos, não há câmeras municipais na via onde ocorreu o crime. Com base em denúncia sobre as características dos suspeitos, o Centro de Controle Operacional (CCO) verificou câmeras do entorno e identificou imagens em que aparecem os indivíduos.
O material, que foi entregue às autoridades policiais, auxiliou na identificação dos criminosos.

Velório e sepultamento
Amigos e familiares se despediram de Marcelo na quarta-feira (28). O velório do engenheiro aconteceu no Cemitério Santana, conhecido como “Chora Menino”, no Imirim, Zona Norte de São Paulo. Já o sepultamento ocorreu no Cemitério Congonhas, no Jardim Marajoara, Zona Sul da capital.

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