O julgamento de Miguel Rodrigo Pereira, acusado de matar Victoria Lorrany Coutinho, de 14 anos, começou nesta quarta-feira (4), no Fórum de Piracicaba, no interior de São Paulo. O caso ganhou repercussão em 2024, quando a adolescente desapareceu em Charqueada após sair de casa para comprar um lanche. Durante as investigações, o homem apontado como responsável pelo crime chegou a conceder uma entrevista à televisão e negou envolvimento. Meses depois, ele confessou o assassinato à Polícia Civil.
Victoria desapareceu na noite de 21 de abril de 2024. Nove dias depois, em 30 de abril, um morador encontrou o corpo da adolescente parcialmente enterrado em uma área de vegetação no bairro Recreio, em Charqueada. A identificação ocorreu por meio de exames periciais.
O julgamento acontece mais de dois anos após o crime. Miguel responde por acusações que incluem sequestro, tortura, estupro, homicídio quadruplamente qualificado e ocultação de cadáver.
Suspeito chegou a dar entrevista e negar envolvimento
Um dos episódios que marcaram a repercussão do caso aconteceu durante a cobertura jornalística das buscas por Victoria. Em 1º de maio de 2024, a Record publicou uma reportagem do programa Cidade Alerta informando que Miguel havia concedido uma entrevista à equipe de televisão e negado participação no desaparecimento e na morte da adolescente.
Na ocasião, segundo a reportagem, o homem fugiu quando a polícia intensificou as buscas. Ele procurou abrigo em uma chácara na zona rural de Piracicaba, onde os proprietários o reconheceram e acionaram a Guarda Municipal.
A Polícia Civil já reunia elementos para investigar a participação dele no desaparecimento. Imagens de câmeras de segurança e outros elementos ajudaram os investigadores a reconstruir os últimos momentos da adolescente.
Em junho de 2024, Miguel confessou o crime à Polícia Civil. Inicialmente, ele havia negado envolvimento.
Victoria saiu para comprar um lanche e não voltou
Na noite de 21 de abril de 2024, Victoria estava em Charqueada, onde passava o fim de semana na casa da mãe. A adolescente morava com o pai, em Piracicaba.
Segundo informações da família, ela saiu para comprar um lanche e não retornou. O desaparecimento mobilizou parentes e moradores, que começaram a procurar a jovem ainda naquela noite, inclusive em canaviais e imóveis abandonados.
Imagens de câmeras de segurança analisadas pela polícia ajudaram a reconstruir parte do trajeto percorrido pela adolescente. Uma das gravações mostrou Victoria conversando com um motociclista. A Polícia Civil ouviu o homem e descartou a participação dele no crime.
As investigações também identificaram a aproximação de outro homem, apontado posteriormente como Miguel.
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Corpo foi encontrado nove dias após o desaparecimento
Em 30 de abril, um morador de 73 anos que participava voluntariamente das buscas encontrou o corpo de uma adolescente em uma área de vegetação no bairro Recreio. A vítima estava parcialmente enterrada e envolvida em um plástico preto.
O local ficava a aproximadamente um quilômetro da residência da mãe de Victoria. Naquele primeiro momento, a Polícia Civil ainda aguardava a confirmação oficial da identidade.
No dia 2 de maio, uma perícia necropapiloscópica identificou a adolescente por meio das impressões digitais. A confirmação encerrou nove dias de buscas e ampliou a repercussão do caso.
Na mesma época, a Polícia Civil apontou sinais de violência física e investigou a possibilidade de violência sexual.
Acusado responde por crimes com agravantes
O Ministério Público denunciou Miguel por sequestro, tortura, estupro, homicídio quadruplamente qualificado e ocultação de cadáver.
No caso do feminicídio, a acusação considera quatro qualificadoras: emprego de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima, intenção de assegurar a impunidade por outro crime e razões da condição do sexo feminino.
Em 2025, a Justiça decidiu levar o acusado a júri popular. Na ocasião, o juiz Luiz Antonio Cunha, da Vara do Júri e Execuções de Piracicaba, negou um pedido da defesa para instaurar um incidente de insanidade mental.
O advogado Renan Augusto Servija alegou que o acusado apresentava comprometimento psíquico relacionado ao uso habitual de drogas e contestou a decisão judicial. Já o magistrado entendeu que o processo não apresentava elementos suficientes para justificar a avaliação naquele momento.
Durante depoimento judicial, Miguel afirmou que estava sob efeito de drogas e sustentou que não conhecia Victoria. Também negou a acusação de estupro, embora tenha admitido o feminicídio e a ocultação do corpo.
Julgamento acontece em Piracicaba nesta quarta-feira
O júri popular começou nesta quarta-feira (4), no Fórum de Piracicaba. A programação prevê o depoimento de três testemunhas e o interrogatório do acusado.
A defesa afirma que Miguel está arrependido e colaborou com as autoridades. O advogado também defende o direito do réu ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal.
Até a atualização das informações consultadas, não havia divulgação de uma sentença.




