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Adolescente se apresenta à polícia e é o sexto apreendido pela morte de engenheiro em Santos

Sexto adolescente suspeito de participar da morte do engenheiro e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, foi apreendido nesta quinta-feira (5)
Adolescente de 15 anos é apreendido por envolvimento na morte de engenheiro após ato pró-Lula

A Polícia Civil apreendeu, na manhã desta quinta-feira (5), o sexto adolescente suspeito de participar da morte do engenheiro e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, em Santos, no litoral de São Paulo. Segundo o delegado titular do 3º Distrito Policial de Santos, Wagner Camargo Gouveia, ele se apresentou espontaneamente à delegacia, acompanhado da tia.

Ao ser ouvido, o suspeito de 15 anos confessou ter participado da ação e foi reconhecido como o adolescente que aparece de bicicleta com cesto nas imagens do circuito de monitoramento da cidade. De acordo com o delegado, as câmeras mostram o jovem entre os suspeitos que cercaram a vítima.

O adolescente foi ouvido pelas autoridades e encaminhado à Fundação Casa, onde permanecerá apreendido para cumprimento da medida socioeducativa. Ainda restam três suspeitos foragidos: um adolescente e dois adulto, que tiveram mandados de prisão temporária decretados.

O ataque aconteceu na madrugada de 24 de outubro, no Centro de Santos. Marcelo participava de uma apresentação da Banda Esquerdantina, realizada em apoio à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por volta das 3h, ele deixou o local para ir ao banheiro e foi abordado pelo grupo, que o agrediu e o roubou.

Os suspeitos transmitiram as agressões ao vivo pelas redes sociais. Marcelo foi internado em estado grave e, dias depois, teve a morte cerebral confirmada.

Investigação

De acordo com a polícia, nove pessoas já foram identificadas como envolvidas no crime: sete adolescentes, com idades entre 14 e 17 anos, e dois adultos, de 18 e 19 anos. Dos sete menores, seis já foram apreendidos.

Os suspeitos são investigados por terem cometido uma série de crimes no Centro de Santos antes da morte de Marcelo. Segundo relatou um dos menores à polícia, eles roubaram ao menos cinco celulares antes do crime. Um dos maiores de idade é apontado como o responsável pela conta no TikTok usada para exibir as agressões em tempo real.

Adolescente de 16 anos foi abraçado por familiares antes de ser apreendido.

Quinto suspeito de ter participado da morte de Marcelo de Oliveira Rocha, de 16 anos, foi abraçado por familiares antes de ser apreendido. Foto: Reprodução/Redes sociais

Cronologia das apreensões

As primeiras apreensões foram feitas em 27 de outubro, quando dois adolescentes, de 14 e 17 anos, foram levados pela polícia. No dia 28 de outubro, um terceiro adolescente foi localizado.

Na terça-feira (3), um quarto menor, de 16 anos, se apresentou no 3º Distrito Policial de Santos acompanhado da mãe. Ele afirmou aos policiais que estava no local do crime. (Veja mais abaixo)

Na quarta-feira (4), o quinto adolescente, de 17 anos, foi encontrado no bairro Aparecida, em Santos. Segundo a Polícia Civil, os investigadores chegaram ao endereço após analisar dados da conta de energia elétrica da mãe do jovem, vinculada à CPFL. Ele estava no imóvel com a mãe e, após o cumprimento do mandado de internação provisória, foi encaminhado à Fundação Casa.

Nesta quinta-feira (5), a polícia apreendeu o sexto adolescente. Segundo o delegado titular do 3º Distrito Policial de Santos, Wagner Camargo Gouveia, ele se apresentou espontaneamente à delegacia, acompanhado da tia.

Veja a linha do tempo dos crimes cometidos pelo grupo

A Polícia Civil divulgou a linha do tempo da ação criminosa do grupo durante a madrugada de 24 de outubro. Entenda abaixo:

⏩01h: Chegada ao evento Esquerdantina. Grupo foi ao Centro de Santos com a intenção de roubar correntes e celulares.

⏩01h–03h: Roubos anteriores. O adolescente relata ao menos cinco roubos antes da abordagem de Marcelo.

⏩03h17: Abordagem de Marcelo. Roubo na Rua Henrique Ablas, seguido de agressões graves contra a vítima.

Polícia descarta motivação política em crime que matou engenheiro após ato pró-Lula

Polícia investiga roubo de cinco celulares cometidos pelo grupo antes das agressões que mataram Marcelo. Foto: Reprodução/Redes sociais

O que cada investigado teria feito, segundo a Polícia Civil

Veja abaixo a atuação de cada suspeito, de acordo com a investigação:

⏩Suspeito de 18 anos: conhecido como “Todão”, é quem anuncia o roubo. Apontado como autor da abordagem e titular do perfil responsável pela transmissão ao vivo, o chamado “dono da live”.

⏩Suspeito de 19 anos: conhecido como “DK”, acompanha “Todão” no anúncio do roubo.

⏩Adolescente 1, de 17 anos: responsável pelo “puxão” e pelo soco inicial contra a vítima.

⏩Adolescente 2, de 14 anos: admitiu ter estado com o grupo em subtrações anteriores, mas negou participação no crime contra Marcelo.

⏩Adolescente 3, de 16 anos: identificado junto à bicicleta, caminhando e subindo a calçada.

⏩Adolescente 4, de 17 anos: apontado por uma testemunha presencial como participante dos socos e chutes contra Marcelo.

⏩Adolescente 6, de 16 anos: vinculado preliminarmente à subtração contra uma pessoa que estava sentada na calçada.

As informações divulgadas pela Polícia Civil se baseiam em imagens de câmeras de segurança, na videotransmissão ao vivo feita no TikTok, em reconhecimento fotográfico e nas oitivas conduzidas pela investigação.

Polícia Civil identificou os suspeitos do crime
Polícia Civil identificou os suspeitos do crime. Divulgação/Policia Civil

Investigação

O caso é investigado como latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte. Entenda a diferença:

🔍Roubo: No Brasil, o roubo é classificado quando alguém toma um bem de outra pessoa usando violência, ameaça ou impedindo que ela possa reagir, conforme o artigo 157 do Código Penal.

🔍Latrocínio: roubo que resulta na morte da vítima, conforme o artigo 157 do Código Penal.

Além disso, para identificar e localizar os agressores, os policiais analisaram imagens de câmeras de monitoramento e de redes sociais do momento em que Marcelo foi abordado e agredido, e anteriores ao crime.

De acordo com a Prefeitura de Santos, não há câmeras municipais na via onde ocorreu o crime. Com base em denúncia sobre as características dos suspeitos, o Centro de Controle Operacional (CCO) verificou câmeras do entorno e identificou imagens em que aparecem os indivíduos.

O material, que foi entregue às autoridades policiais, auxiliou na identificação dos criminosos.

Criminosos que agrediram Marcelo fizeram uma live no Tiktok
Criminosos transmitiram o crime em uma live. Foto: Reprodução/Redes sociais

Leia também: Quatro suspeitos continuam foragidos pela morte de engenheiro durante ato pró-Lula em Santos


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Autor

  • Marjorie Santos

    Formada em Jornalismo pela Universidade Católica de Santos (UniSantos) e atua na imprensa desde 2024 como repórter de porto, cotidiano e gastronomia.

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