Em Terras Lusas – Imigrantes emigrando?

Um dos casos mais emblemáticos, e que já nem mais causa espanto aos portugueses, infelizmente, são os enfermeiros recém-formados que acabam por emigrar para o Reino Unido onde ganham mais
emigrantes

Já disse por aqui que expor publicamente as mazelas de um país que te acolheu, não é lá muito simpático e que, muitas vezes, tal ato pode beirar a traição, quiçá, a ingratidão. Metaforicamente é como ser convidado para jantar na casa de um amigo e depois sair falando mal da comida servida.

Mas há verdades que precisam ser ditas, principalmente para aqueles brasileiros que pretendem imigrar para Portugal e estão tão empolgados com esse sonho que só conseguem ver o lado luminoso desse desejo, deixando de avaliar a médio e longo prazo o quadro geral do projeto de imigração.

Sem querer ser um “estraga prazeres”, mas já o sendo como diria o saudoso humorista Jô Soares, vamos a uma das mazelas portuguesas.

imigração

A maioria dos portugueses sabe que o mercado de trabalho em Portugal sempre foi retraído e que oferece valores salariais que estão muito abaixo do valor da média europeia.

Diante de um quadro pouco atraente financeiramente e com um futuro a conquistar, muitos jovens portugueses recém-formados não hesitam em emigrar para outros países europeus onde o mercado de trabalho é mais bem remunerado e os jovens têm mais perspectivas de crescimento profissional.

Um dos casos mais emblemáticos, e que já nem mais causa espanto aos portugueses, infelizmente, são os enfermeiros recém-formados que acabam por emigrar para o Reino Unido onde ganham mais que em Portugal.

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Ressalto o “infelizmente” porque acredito que deveria haver uma real indignação quanto ao valor dos salários oferecidos a esses profissionais em Portugal, e quando a única saída plausível, para aqueles que sonham em prosperar, constituir família e retribuir ao seu país tudo o que aprenderam, seja a emigração.

Só para se ter uma ideia, no Porto, um enfermeiro ganha mensalmente o valor bruto de 1.400 euros, enquanto em Londres esse mesmo enfermeiro ganharia mensalmente o valor bruto de 2.600 libras, o equivalente a 3.000 euros na data de hoje.

Não é necessário fazer muito esforço intelectual para perceber que o mesmo acontece com todas as outras profissões e o “efeito dominó” é uma questão sem volta a dar: emigração de jovens profissionais qualificados, déficit demográfico em Portugal e, no pior cenário, uma emigração, muitas vezes, de forma definitiva.


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imigração/demografia

Se muitos portugueses têm que lidar com as escolhas de emigração de seus filhos recém-formados, esse mesmo dilema também já atinge uma quantidade surpreendente de filhos de imigrantes que por aqui moram há um bom tempo.

Para quem saiu do Brasil, vive em Portugal há alguns anos, como eu, imaginar que seus filhos, que estudaram e se formaram em Terras Lusas, desejam novamente emigrar em busca de melhores condições de trabalho e de vida, não deixa de ser um “murro na boca do estômago” e me obriga a refletir se a escolha de Portugal não foi um erro de percurso.

Na minha casa, dos meus 3 filhos, dois deles já não estão mais em Portugal. A mais velha que viveu por aqui cinco anos, abriu sua empresa de mkt digital e, há dois anos, voltou a morar no Brasil com os avós.

Meu filho do meio, que estuda música e está no último ano da faculdade em Brighton, na Inglaterra, não pretende voltar a morar em Terras Lusas e diz que no ramo em que atua o mercado britânico lhe é muito mais promissor.

imigração

Com um amigo próximo, o mesmo aconteceu. Dos seus dois filhos, a mais nova decidiu migrar para o Canadá e fazer a faculdade em Toronto. Outro casal de amigos tem a filha mais velha estudando Medicina na Itália e a família já pensa em emigrar pra lá e a viverem com ela no próximo ano.

Que fique claro que não há arrependimento em ter migrado para Terras Lusas, mas é desanimador ouvir desses jovens que Portugal não consegue oferecer o futuro profissional que desejam e esperam, não restando a eles alternativa, a não ser, buscar a sorte em outros países da Europa.

Dito tudo isso, vale ressaltar uma frase de um amigo português, que tem um humor bastante peculiar, e que me disse “Se os portugueses não votarem pensando a médio e longo prazo, Portugal tem tudo para virar um grande balneário para idosos”, enquanto falávamos sobre a importância da eleição legislativa que ocorrerá em 18 de maio próximo.

Autor

  • Paulo Visani Rossi

    Paulo Visani Rossi é advogado especializado em Direito Autoral e assessor de imprensa, atua como consultor de marketing na Europa e vive há 9 anos em Portugal

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