Não há quem não saiba, ou que não tenha ouvido falar, que as estações do ano no hemisfério norte são muito mais precisas e determinadas que no hemisfério sul. E talvez tenha sido essa a maior diferença que senti em relação ao Brasil quando cheguei Em Terras Lusas.
Se em terras tupiniquins podemos ter as 4 estações no mesmo dia, por aqui as coisas são bem diferentes. Primavera é primavera, outono é outono, inverno é inverno e verão é verão, com as características específicas de cada estação, praticamente em 90% do tempo.
Apesar das alterações climáticas, que insistem em mudar esse cenário, a sensação de estabilidade e previsibilidade de cada estação faz com que o tempo em sentido lato, pareça mais curto, e passe a não a ser mais contado em dias, mas sim, em estações do ano.
Talvez seja por essa razão que a maioria dos europeus de forma geral deem tanta importância às férias de verão. E quando digo a maioria dos europeus, não digo uma maioria de 51%, mas algo perto dos 80-90%.
Afinal quantos verões teremos pela frente? Portanto, carpem diem, meu caro leitor.
Basta mudar a estação e lá estão os europeus fazendo suas malas e indo viajar, ou melhor, fazer as suas férias de verão junto ao mar, destino preferido de 9 entre 10 europeus ou turistas que por cá chegam para curtir o que muitos brasileiros chamam de “Euro Summer”.

Há quem diga que a Europa, efetivamente, para no verão. Para o bem e para o mal, o verão europeu traz muita animação e algumas preocupações.
Entre as preocupações, as ondas de calor, cada vez mais frequentes, são as responsáveis pelo excesso do número de mortes de crianças e idosos, os grupos mais afetados. Semana passada no Alentejo, a temperatura chegou aos 48 graus.
Se a romaria para os destinos turísticos de praia satura tanto os serviços públicos de saúde como os de lazer, e causa vários constrangimentos, a capital e as grandes cidades do país sofrem em sentido oposto com o esvaziamento da população, deixando os hospitais públicos com um número reduzido de médicos, o que traz preocupações de gestão ao governo português.
Quanto às alegrias, essas são muitas. Se o sol e o calor convidam à vida a beira mar, nada mais agradável do que rumar à costa portuguesa. Entre as praias mais disputadas temos Dona Ana em Lagos, Praia de São Rafael em Albufeira, a conhecida Praia de Nazaré, praia do Baleal em Peniche. Isso sem falarmos do point internacional que se tornou a praia da Comporta.
Diferentemente do que acontece no Brasil, e apesar do verão começar em junho, o mês de agosto é o mês oficial para se passar as férias em hotéis ou em casas alugadas pela costa atlântica portuguesa.
E como o leitor pode imaginar, a corrida para se reservar um lugar à beira mar é acirrada. Tenho vários amigos que reservam suas casas na praia com 6 ou 7 meses de antecedência, mas há quem comece a se preocupar com isso um ano antes.

Conhecemos um casal de amigos que há anos escolhe como destino de verão, a cidade de Tavira no Algarve. A cidade é um pequeno paraíso, ainda muito bem preservada e um destino pouco conhecido pelos turistas. Nossos amigos não se cansam de nos convidar para uma temporada de férias com eles, mas a temperatura média ultrapassa os 30 graus.
Como fujo do calor como o diabo da cruz e escolhi a cidade do Porto para morar exclusivamente por ter um clima mais ameno do que Lisboa, quando o verão se aproxima, só penso em que lugar ao Norte da Europa posso passar as minhas férias de verão.
Enfim, perdoem-me os adictos do calor, mas o verão, para mim, é uma estação pouco interessante, e torço para que os dias passem o mais depressa possível.