A Polícia Civil de Santos, na Baixada Santista, apura se a adolescente de 12 anos foi vítima de estupro de vulnerável após mentir a própria idade para um homem de 18 anos com quem conversava em um jogo online. O caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que instaurou inquérito policial para analisar as circunstâncias.
A garota desapareceu no dia 6 de julho e foi encontrada cinco dias depois, na casa do rapaz em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Conforme apurado pela VTV, afiliada do SBT, a jovem disse ao homem ter 14 anos. Entretanto, segundo o delegado Thiago Nemi Bonametti, titular da 3ª Delegacia de Homicídios, a menina afirmou que não foi violentada.
Apesar disso, ela contou que manteve uma “relação afetiva” com o rapaz durante o período em que esteve em sua casa, o que levou a polícia a registrar a ocorrência e investigar a possível prática do crime. Pela legislação brasileira, menores de 14 anos não podem consentir em relações sexuais – qualquer ato é caracterizado como estupro de vulnerável.
“Mesmo que tenha sido consensual, a lei entende que uma pessoa com menos de 14 anos não pode ter relações afetivas. Por isso, tomamos algumas precauções e encaminhamos o caso à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para continuidade das investigações”, explicou Bonametti. A DDM de Santos deve ouvir o homem assim que ele for devidamente intimado.
Adolescente afirma ter conhecido rapaz em jogo online
A mãe da menina, Maria Patrícia Melo, contou à polícia que já desconfiava que a filha estivesse se comunicando com o rapaz de 18 anos. Segundo a família, a menina teria conhecido o homem – a quem chamava de “namoradinho” – por meio do Free Fire, jogo de tiro popular entre jovens na internet, e trocava mensagens com ele regularmente.
O jogo, desenvolvido pela 111dots Studio e publicado pela Garena, é recomendado para maiores de 13 anos e soma mais de 1,3 bilhão de downloads no mundo (entenda como o game funciona clicando aqui). A família chegou a alertar a pré-adolescente para tomar cuidado, mas, segundo a mãe, não houve discussões graves sobre o assunto.
A Garena, empresa responsável pelo Free Fire, foi procurada pela Reportagem para comentar o caso, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

Polícia investiga responsabilidade do rapaz no sumiço
Horas depois do desaparecimento, a tia da pré-adolescente, Michele Cristina de Melo, conseguiu o número do suspeito e chegou a enviar mensagens fingindo ser uma amiga da menor, mas o jovem negou ter informações sobre o paradeiro (leia trecho):
- Tia de Yara — “Oi, boa noite. Eu sou uma amiga da [menina desaparecida]. Ela está com você? Nós iríamos sair juntas”.
- Suspeito — “Não. Por quê? O que foi?”.
- Tia de Yara — “Ela saiu. Ela está com você. Porque ela falou que iria se encontrar com você”.
- Suspeito — “Comigo mesmo, não. Oxi… Por quê?”.
A mãe da pré-adolescente também foi bloqueada após tentar contato. Além do rapaz, a mãe do rapaz também será ouvida pela Polícia Civil, já que, segundo o delegado, ela tinha conhecimento de que a menina estava hospedada na casa da família. “Precisamos entender por que não houve uma comunicação com as autoridades”, disse à repórter Gaby de Saboya, da VTV.

Áudio enviado à mãe e retorno para o litoral de SP
Imagens de câmeras de segurança mostraram a menina de 12 anos caminhando sozinha no dia do desaparecimento. Ela carregava mochila, sacola com quatro conjuntos de roupa, celular e um documento pessoal. Nas imagens, a pré-adolescente também foi vista usando o telefone enquanto parecia esperar por alguém, na calçada da Rua Nove de Julho, no Marapé.
Durante o período em que esteve fora de casa, a menor enviou um áudio à mãe informando que estava bem e que só voltaria para casa no dia 23. “Mãe, eu tô bem, tá? Não precisa se preocupar. Dia 23 eu tô em casa”, dizia um trecho da gravação obtida pelo VTV News na última quinta-feira (10).
No mesmo áudio, a menina diz estar na casa de uma amiga e nega estar com o suspeito. Ela ainda pede que a mãe pare de enviar mensagens para ele, afirma que apagaria o aplicativo de conversa, e relata que o jovem estaria tentando convencê-la a voltar para casa. Na manhã de sexta-feira (11), a adolescente ligou pedindo que a família enviasse um veículo para buscá-la.