Dois adolescentes, de 17 e 14 anos, confessaram o assassinato de Nicolly Fernanda Pogere, de 15 anos, em Hortolândia (SP). A apreensão ocorreu neste domingo (20), no município de Cornélio Procópio (PR), onde estavam escondidos na casa da avó de um deles. Ambos já eram considerados os principais suspeitos pela Polícia Civil e, segundo o delegado responsável pelo caso, admitiram o crime.
A vítima estava desaparecida desde o dia 12 de julho e foi encontrada seis dias depois, esquartejada e enrolada em lençóis e uma lona azul, no fundo de uma lagoa no bairro Jardim Amanda I. O corpo apresentava sinais evidentes de violência e perfurações por arma branca. A localização foi possível graças à atuação do cão farejador Thor, da Guarda Municipal de Hortolândia, após reconhecimento olfativo com roupas fornecidas pela família.

Apreensão e confissão
O casal de adolescentes foi localizado após denúncia anônima recebida pela Polícia Civil do Paraná. No momento da abordagem, os dois estavam com celulares, que foram apreendidos e passarão por perícia. Ambos tiveram a internação provisória decretada e serão encaminhados para a Fundação Casa Andorinhas, em Campinas (SP). A ação foi coordenada por forças de inteligência policial de São Paulo e Paraná, que ainda investigam se outras pessoas colaboraram com a fuga.
Conforme noticiado pela VTVNews, o adolescente suspeito chegou a mandar mensagem para o pai após o crime ser descoberto. Em mensagens trocadas após a repercussão do caso e enviadas por familiares, o jovem afirmou estar em segurança, negou participação no homicídio e alegou estar sendo ameaçado por supostos integrantes de facções de São Paulo.
“Estou bem, não fiz nada, eu juro. Tem uns caras de São Paulo me mandando mensagem, falando que vão me matar. Por isso, fugi”, escreveu o jovem. O pai respondeu pedindo que ele se entregasse. “Filho, se não fez nada, vem para casa. Se apresenta na delegacia”, orientou.

Dinâmica do crime
De acordo com a polícia, o adolescente de 17 anos mantinha um relacionamento com Nicolly, e também com a menina de 14 anos. Ela havia ido a Hortolândia no fim de junho para visitar o avô e encontrar o namorado. Ficou hospedada por dois dias na casa dele, e deveria retornar à residência do avô no dia 14 de julho, o que não ocorreu.
A Polícia Civil informou que o corpo foi encontrado parcialmente submerso, com pedras no interior dos lençóis usados para ocultar os restos mortais. A lona azul e os lençóis foram reconhecidos pelo pai do adolescente como objetos de sua propriedade. Nas costas de Nicolly havia uma inscrição com as letras “PCC”. Para o delegado Regino, a marcação foi uma tentativa de “disfarçar a motivação real do crime”, simulando conexão com facção criminosa.
O caso segue sendo tratado como feminicídio. A Polícia Civil realiza diligências para esclarecer a motivação do crime e apurar se houve participação de terceiros, direta ou indiretamente, na ocultação do corpo ou na fuga dos autores.
O desaparecimento de Nicolly mobilizou a família e os moradores da cidade. Segundo o padrasto da jovem, ela e o adolescente suspeito se conheciam desde a infância e chegaram a estudar juntos antes da mudança dela para Mococa (SP).