O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (Republicanos), afirmou que vai disputar uma vaga na Câmara Federal por Minas Gerais nas eleições de 2026. Em entrevista à Rádio Itatiaia, ele confirmou que está morando em Belo Horizonte, no bairro Savassi, e que pretende transferir seu domicílio eleitoral nos próximos meses. Uma das rádios pertencentes à família Cunha já está em operação na capital mineira.
A movimentação marca o retorno político de Cunha pelo estado, após uma tentativa frustrada de reeleição por São Paulo em 2022. Segundo declarou, ele também deve deixar o Republicanos, partido ao qual está filiado desde 2022. A filha de Eduardo, Danielle Cunha (União Brasil), atualmente exerce mandato como deputada federal pelo Rio de Janeiro.
Racha no Republicanos
A possível candidatura de Cunha por Minas Gerais desencadeou um embate direto com o senador Cleitinho Azevedo, também do Republicanos. Em manifestação realizada no último domingo (3), durante ato pró-Bolsonaro em Belo Horizonte, Cleitinho atacou o ex-deputado. “Aqui em Minas Gerais, um canalha, um vagabundo que chama Eduardo Cunha está vindo pra cá, querendo fazer campanha pra deputado federal. Cês vão ter coragem de votar num vagabundo desses?”, questionou o senador no discurso.
Em resposta, Cunha anunciou que vai acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) por difamação. Cleitinho, por sua vez, reiterou as declarações e provocou: “Que ele saia logo do partido. E não venha fazer campanha em Minas Gerais, que aqui ele não terá votos. Porque diferente dele que está acionando o STF pra mim, por falar verdades dele, eu vou acionar é o povo”.

Sentença anulada
Cunha foi preso em 2016 no âmbito da Operação Lava-Jato, acusado de receber propina em contratos da Petrobras envolvendo navios-sonda. Na época, teve o mandato de deputado cassado e se tornou um dos rostos mais emblemáticos da crise política que culminou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), processo no qual foi apontado como articulador decisivo. A defesa do ex-parlamentar sempre alegou perseguição. Anos depois, o Supremo Tribunal Federal anulou a condenação com o argumento de que a competência para julgar o caso era da Justiça Eleitoral.