O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou nesta sexta-feira (29) uma notícia-crime junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a prisão do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O petista acusa o parlamentar bolsonarista de divulgar informações falsas sobre o sistema financeiro nacional, o que teria impactado negativamente o combate à lavagem de dinheiro e favorecido indiretamente organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A iniciativa do parlamentar decorreu após repercussão da deflagração da megaoperação que atingiu a Faria Lima e algumas instituições do centro financeiro de São Paulo e do Brasil.
Você já viu o Mcfly e eu no mesmo local? https://t.co/xusaSkCd9q
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) August 29, 2025
O parlamentar cita na notícia-crime o vídeo gravado por Nikolas que viralizou nas redes sociais sobre as alterações na fiscalização sobre o Pix, que o governo pretendia fazer, mas abandonou a proposta. O vídeo publicado em 14 de janeiro no Instagram atingiu mais de 336 milhões de visualizações, até a data desta quinta.
“Desinformação perigosa”, diz Rogério Correia
Para Rogério Correia, o conteúdo veiculado por Nikolas é “gravemente irresponsável” e induz a população ao uso de dinheiro em espécie, dificultando o rastreamento de movimentações financeiras ilegais.
“Esse tipo de desinformação coloca em risco o sistema financeiro e enfraquece o combate ao crime organizado. Ao desincentivar o uso de meios eletrônicos rastreáveis como o Pix, o deputado abre espaço para que facções criminosas movimentem dinheiro com menos controle do Estado”, afirmou Correia.
O petista solicita à PGR que investigue Nikolas Ferreira pelos crimes de:
- Divulgação de informação falsa sobre instituições financeiras (Lei 7.492/1986);
- Obstrução de investigação contra organizações criminosas (Lei 12.850/2013);
- Favorecimento à lavagem de dinheiro (Lei 9.613/1998);
- E, em caso de comprovação de vínculo, associação ao tráfico de drogas (Lei 11.343/2006).
Além da prisão preventiva, Correia pede também a remoção do vídeo das redes sociais e o quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático de Nikolas Ferreira e de eventuais financiadores da peça de desinformação.
Rumores sobre Pix e vídeo de Nikolas Ferreira
Rumores falsos sobre o tema a taxação do Pix, que viralizaram no início do ano, prejudicaram tentativas anteriores de regulamentação do setor de fintechs, de acordo com a Receita Federal.
O secretário especial da Receita, Robinson Barreirinhas, atribuiu parte do fortalecimento do PCC à disseminação das fake news sobre o controle das movimentações via Pix. “As operações de hoje mostram quem ganhou com essa mentira: o crime organizado”, afirmou.
Um dos conteúdos que viralizaram nas redes sociais sobre o tema foi um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que fez especulações sobre uma possível taxação do Pix. A repercussão fez o governo federal recuar na aplicação de regras de controle.
“O governo quer saber como você ganha R$ 5 mil e paga R$ 10 mil de cartão, mas não quer saber como uma pessoa que ganha um salário mínimo faz para sobreviver”, disse o deputado, que chamou a repercussão negativa sobre o tema como “revolta do Pix”.
As alegações foram desmentidas oficialmente pela Receita Federal, pelo Banco Central e pelo Ministério da Fazenda, à época. E a instituição reforça que, as novas normas também não têm relação com uma possível taxação do Pix.
Fake news sobre Pix influenciou ação do PCC com fintechs, aponta Receita
Uma megaoperação realizada nesta quinta-feira (28) mirou negócios financeiros ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior facção criminosa do Brasil. As investigações identificaram cerca de 40 fundos de investimentos controlados pela organização, alguns movimentados por meio de fintechs na Faria Lima, centro financeiro de São Paulo.
E qual seria a relação do esquema com uma fake news sobre “taxação do Pix”, que circulou na web, no início do ano? Para a Receita Federal, a desinformação atrasou a aplicação de regras que coibiriam este tipo de crime.
Segundo a megaoperação desta quinta, fintechs funcionavam como “bancos paralelos”, permitindo transações de grandes valores sem rastreamento. Entre os alvos está a empresa BK Bank, que movimentou depósitos em espécie que somaram R$ 61 milhões.
Em nota, a Receita Federal afirmou que abrirá uma investigação sobre a atuação dessas fintechs, destacando a existência de um vácuo regulatório, já que elas não possuem as mesmas obrigações de transparência das instituições financeiras tradicionais.
“O crime organizado sabe disso e aproveita essa brecha para movimentar, ocultar e lavar seu dinheiro sujo”, afirma a instituição em um trecho da nota.
A partir de agora, a Receita se debruça na criação de uma nova norma que deverá:
- deixar claro que o objetivo é combater o crime;
- equiparar as fintechs às instituições financeiras tradicionais em termos de obrigações legais;
- citar a Lei do Sistema de Pagamentos Brasileiro, para mostrar que não se trata de criação de novas regras.