O senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil durante o governo de Jair Bolsonaro, negou com veemência qualquer envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e pediu à Polícia Federal a abertura imediata de uma investigação sobre as acusações que o ligam à facção criminosa.
A manifestação foi feita no sábado (31), após a publicação de uma reportagem pelo portal ICL Notícias, que cita o nome do parlamentar em supostas conversas entre líderes de um esquema de lavagem de dinheiro operado pelo PCC. Segundo a matéria, os investigados afirmam que o político teria recebido propina em espécie, sendo este próximo ao núcleo de poder em Brasília.
Lula está passando de todos os limites: de responsabilidade já passou há muito tempo e agora de leviandade também. Levantar uma mentira dessas contra um jovem que é uma pessoa de bem é o absurdo dos absurdos.
— Ciro Nogueira (@ciro_nogueira) August 31, 2025
O que Lula tem é inveja de Nikolas: poste alguma coisa e supera o… pic.twitter.com/k6B9rLpePI
De acordo com o conteúdo divulgado pelo ICL, os criminosos teriam entregue uma sacola de papelão com grande quantidade de dinheiro vivo a Ciro Nogueira, em um suposto encontro ocorrido em agosto de 2024, em Brasília. Os responsáveis pela entrega seriam Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. A denúncia ainda aponta que o pagamento estaria relacionado a fraudes fiscais no setor de combustíveis.
Em resposta, Ciro Nogueira encaminhou um ofício ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, no qual classificou a denúncia como “leviana” e “criminosa”. O senador colocou à disposição das autoridades todos os seus sigilos bancário, fiscal, telefônico, telemático e de gabinete, além de solicitar acesso às imagens de segurança do Congresso Nacional e aos registros de entrada em seu gabinete.
“Não vou permitir que minha reputação seja manchada por criminosos ou por jornalistas irresponsáveis que agem com motivação política”, afirmou o senador em nota.
No ofício, Nogueira também destaca que o conteúdo divulgado pela reportagem teria sido antecipado por meio de uma mensagem assinada por Leandro Demori, Cesar Calejon e outros jornalistas do ICL Notícias. Ele encerrou o comunicado reafirmando confiança em sua inocência:
“Tenho minha consciência tranquila e a verdade ao meu lado. Quero mais, e não menos, investigação.”
Até o momento, o Ministério da Justiça não se pronunciou oficialmente sobre o pedido de apuração. A Polícia Federal também não confirmou a abertura de um inquérito específico com base nas declarações do senador.
Histórico político
Ciro Nogueira é presidente nacional do Progressistas e foi ministro da Casa Civil entre 2021 e 2022. Considerado um dos principais articuladores do chamado “centrão”, ele é aliado de longa data do ex-presidente Jair Bolsonaro e atualmente exerce forte influência nos bastidores do Congresso.